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COLUNA DO MARTINELLI: A importância do Dia Internacional da Mulher

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI | 08/03/2020 | 05:00

O DIA INTERNACIONAL DA MULHER, que se comemora nesse domingo, traz na sua origem uma tragédia, que se constituiu num marco doloroso. Durante as manifestações pela redução da jornada de trabalho – que no século XIX chegava a até 17 horas diárias – 129 tecelãs da Fábrica de Tecidos Cotton, em Nova York, cruzaram os braços reivindicando o direito de dez horas e promoveram a primeira greve no país conduzida apenas por mulheres. Como conseqüência da iniciativa, considerada ousada demais à época, elas foram violentamente reprimidas pela polícia e se refugiaram dentro da fábrica. No dia oito de março de 1857, os patrões, com o auxílio de policiais, trancaram todas as portas e atearam fogo ao prédio matando as operárias.

Se o objetivo desse crime hediondo era o de intimidar atitudes contrárias aos interesses patriarcais, o resultado foi o surgimento de uma nova mentalidade referente ao sexo feminino, sendo que suas representantes adquiriram maior consistência do estado de discriminação reinante e passaram a se empenhar na busca de suas plenas realizações como pessoas. Durante a II Conferência Internacional da Mulher, realizada em 1910, na Dinamarca, a famosa ativista Clara Zetkin propôs que o data da morte daquelas grevistas norte-americanas fosse escolhido como comemoração mundial da mulher, sugestão prontamente atendida.

Por isso, tal celebração contém forte apelo reivindicatório, apesar de muitos não valorizaram e até desprezá-lo sob o argumento que também deveria existir uma homenagem especial no calendário para os homens. Ela se revela ainda numa excelente ocasião para se avaliar quão longo e difícil foi, e continua sendo, a caminhada da mulher em favor de seus direitos. Nessa trilha, a Constituição Federal de nosso país reconhece a sua aspiração à completa cidadania, mas na realidade, existe uma grande distância entre a lei e o cotidiano das brasileiras, demonstrada entre outros, pelos muitos constrangimentos a que são submetidas nos locais de trabalho e das diferenças de salário entre homem e mulher que desempenha a mesma função, além dos constantes casos de violência, preconceito e discriminação de que são vítimas constantemente, apesar da Lei Maria da Penha ter atenuado tais abusos.

No passado, entretanto, a situação já foi pior. Hoje, a determinação legal de que as listas dos partidos políticos e coligações apresentem um percentual mínimo de 30% (trinta por cento) de candidaturas femininas foi um passo importante para aumentar a participação delas na órbita política. Mas os desafios não acabaram. Pelo contrário, exigem uma luta cotidiana a ser travada em todas as esferas sociais – até no próprio lar -, sempre visando o respeito mútuo e a harmonia entre os gêneros.

Desta forma, o Dia Internacional da Mulher efetivamente não deve ser apenas cultuado no calendário. É preciso que os cidadãos de bom-senso se esforcem para conquistarmos o pleno direito de igualdade entre todos independente do sexo e assim construirmos um mundo mais justo onde o preconceito seja totalmente banido, excluindo-se a fraqueza cultural que teima em ditar o masculino como o mais forte.

Nessa ocasião, quando a mulher é especialmente saudada, preocupemo-nos com propostas que levem a mudanças legais e a implantação de políticas de combate a qualquer tipo de discriminação. Precisamos alcançar uma sociedade nova, de cooperação e parceria, de respeito às diferenças, para que se chegue à unidade dos contrários, ao equilíbrio dos opostos, à isonomia de anseios e oportunidades.

A cidadania plena não pode se perpetuar em sonhos, mas se transformar em realidade através de conquistas e enfrentamento dos desafios que os costumes e tradições anacrônicos originam.

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor e professor da Faculdade de Direito do Centro Universitário Padre Anchieta de Jundiaí. Ex-presidente das Academias Jundiaienses de Letras e de Letras Jurídicas (martinelliadv@hotmail.com)


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