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COLUNA DO MARTINELLI: Dia dos Namorados, reflexões e romantismo, mesmo em tempos de pandemia

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI | 07/06/2020 | 05:00

O DIA DOS NAMORADOS, celebrado a doze de junho, surgiu no Brasil em 1948, por iniciativa da loja “Exposição Cliper” e se inspirou nos Estados Unidos, onde a 14 de fevereiro se comemora o Dia de São Valentim, a festa dos casais apaixonados. Apesar de ser véspera de sua data consagrada, nada tem a ver com Santo Antonio, outra figura santificada e homenageada pelos pares. Sua fama de casamenteiro é bastante divulgada, bem como a de que ajudava as moças pobres a formarem seus dotes para conseguirem se casar.

Entretanto, o que efetivamente contribuiu à concepção brasileira foi o desempenho dos comerciantes, que tinham no mês de junho um período de baixas vendas e acreditaram que seria lucrativa a ideia de estimular a troca de presentes entre os que se amam. E assim, passou a se revelar na terceira data comemorativa mais rentável, superada apenas pelo Natal e pelo Dia das Mães.

Apesar de todo o consumismo que a cerca, prevalecem nesta ocasião momentos de flagrante romantismo, de trocas de presentes, de declarações e de juras de amor, circunstâncias que evidentemente já a valorizam e por si só, justificam sua existência. Talvez seja por isso, que durante todo o tempo que escrevo para jornais, um dos assuntos que mais me fascinam é o namoro, não só pela importância que tem na vida dos jovens como pela descoberta dos encantos e das decepções dessa tão antiga e sempre maravilhosa forma de entrosamento e relacionamento entre dois seres. É por isso que reitero alguns de seus aspectos.

Os namorados devem buscar determinados rumos para encontrarem a estrada definitiva que os levem a uma união profundamente séria, razão pela qual, necessitam de uma preparação, cientes de sua importância como instituição legal e como sacramento religioso, entendendo também que quaisquer ligações extraoficiais também são relevantes ao quadro social e possuem inúmeras consequências caso se dissolvam. Por isso, esse período se constitui num esforço visando alcançar a afeição de um ente especial; na condição de duas pessoas se conhecerem melhor e aprimorarem sua aptidão de amar; na procura de uma companhia exclusiva e no aprendizado para uma permanente vida a dois.

A verdadeira e completa harmonia se vislumbra quando abandonando o egoísmo, um par se abre plenamente ao outro e diante desses aspectos, namorar é uma necessidade, que pressupõe lisura e não simplesmente busca imediatista de prazer, afim de que se conheçam bem, ajudem-se mutuamente a enfrentarem os desafios em geral, com firmeza de fé, confiança em Deus e amadurecimento para que a união seja bem alicerçada.

Esses propósitos são essenciais para que no futuro, juntos, pautem a aliança entre si no envolvimento, na doação e no conhecimento pleno dos direitos e deveres que geram os institutos do casamento e da união estável (fidelidade; vida em comum no domicílio conjugal; mútua assistência; sustento, guarda e educação de filhos; respeito e consideração recíproca). Além do que, os filhos nunca poderão ser vítimas da ausência de serenidade e de responsabilidade de seus pais, mas deverão se sentir como frutos do amor verdadeiro e da seriedade na relação destes, consolidada no conhecimento e veneração mútuos, cuja base é construída na fase pré-nupcial.

E, mesmo tempos de pandemia, romantismo e reflexões para os que podem nessa difícil situação, são muito bons para fortalecer os laços amorosos.

Dia Nacional de Anchieta
Nem sempre compreendido, pois pautava suas ações nos princípios religiosos e preceitos de absoluta Justiça Social, contrariando muitas vezes os interesses dos que o cercavam, o Padre José de Anchieta, cuja data se comemora nesse domingo, 09 de junho nunca perdeu a convicção de trabalhar em prol de terceiros e do respeito aos anseios fundamentais do ser humano. Tanto que se desdobrou em colonizador, sacerdote, pacificador, pregador e mediador, o que antecipou na prática, preceitos de futuros institutos jurídicos. Fonte inesgotável de amor e perseverança, dotado de grande conteúdo intelectual, suas lições maiores foram simplicidade e bondade, tornando-se um exemplo de homem a ser seguido, com a esperança de que continuemos a construção de um mundo melhor. Ele é patrono de inúmeras instituições de ensino no Brasil, sendo que uma das maiores é em Jundiaí, integrada por cursos desde o ensino fundamental até o universitário, e do qual orgulhosamente faço parte do corpo docente da Faculdade de Direito há mais de trinta anos.

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor e professor da Faculdade de Direito Padre Anchieta de Jundiaí. É ex-presidente das Academias Jundiaiense de Letras e de Letras Jur´dicas (martinelliadv@hotmail.com)


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