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COLUNA DO MARTINELLI: Hoje é o DIA NACIONAL DE SÃO JOSÉ DE ANCHIETA

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI | 09/06/2019 | 05:00

A Teoria Geral dos Direitos Humanos primordialmente defende os direitos fundamentais dos seres humanos e sua concretização, além do respeito irrestrito a dignidade da pessoa humana, sendo o Cristianismo o primeiro momento efetivo da evolução de tais princípios. E um dos incansáveis precursores de que o homem deve ser tratado como um fim e nunca um meio em nosso país foi o Padre José de Anchieta.

Nascido nas Ilhas Canárias, Espanha, a 19 de março de 1534, dia consagrado a São José e a quem deve o nome, ingressou na adolescência na Companhia de Jesus em Portugal para em 1553, incorporar-se ao terceiro grupo de jesuítas que chegou ao Brasil, onde se mostrou infatigável. Ainda jovem, em sua nova terra, dedicou-se a trabalhos árduos e até mesmo doente. “Sirvo de médico e de barbeiro, medicando e sangrando os índios, e alguns se restabeleceram com os meus cuidados, quando já não se contava com suas vidas, tendo outros morridos da mesma enfermidade. Além desses empregos, aprendi outra profissão que a necessidade me ensinou, a de fazer alpercatas” – escreveu em uma carta a Santo Inácio de Loyola, fundador da ordem religiosa a que pertencia.

Como catequizador, ele também mediou e pacificou conflitos, tendo sua atuação se destacado durante o episódio da Confederação dos Tamoios (1560), quando essas tribos aliadas aos invasores franceses – se uniram para guerrear contra os portugueses. Ainda noviço, permaneceu meses como refém dos índios no litoral de São Paulo, quando escreveu, nas areias da praia, o Poema da Virgem. Com a paz entre os silvícolas e colonizadores, Anchieta passou o texto para o papel, composto de 4.172 versos que até então estavam arquivados apenas em sua memória.

Foi ordenado sacerdote em 1566, na Bahia, aos trinta e dois anos de idade. A partir daí, passou a viajar pelo território nacional, também exercendo atribuições, como reitor do Colégio do Rio Janeiro, cidade que ajudou a fundar, assim como Niterói, tornando-se em 1576, o sexto provincial dos jesuítas no Brasil. Foi ele que juntamente com o Pe. Manoel da Nóbrega formou o primeiro vilarejo que depois originou a cidade de São Paulo, hoje um dos maiores centros brasileiros. Anchieta faleceu a 09 de junho de 1597, em Reritiba, Espírito Santo, hoje município de Anchieta. A data de sua morte, nesse domingo, é consagrada como DIA NACIONAL DE ANCHIETA.

Nem sempre compreendido, pois pautava suas ações nos princípios religiosos e preceitos de absoluta Justiça Social, acabava por contrariar muitas vezes os interesses dos que o cercavam. Entretanto nunca perdeu a convicção de trabalhar em prol de terceiros e do respeito aos anseios fundamentais do ser humano, desdobrando-se em colonizador, sacerdote, pacificador, pregador e mediador, o que antecipou na prática, preceitos de futuros institutos jurídicos. Fonte inesgotável de amor e perseverança, dotado de grande conteúdo intelectual, suas lições maiores foram simplicidade e bondade, tornando-se um exemplo de homem a ser seguido, com a esperança de que continuemos a construção de um mundo melhor, tendo as mesmas bases por ele apregoadas: o Senhor Jesus Cristo, resgatador da vida eterna e o Espírito Santo de Deus, provedor da sabedoria.

Foi beatificado em 1980 pelo Papa João Paulo II e canonizado em 03 de abril de 2014 pelo Papa Francisco. Conhecido como o Apóstolo do Brasil, foi declarado co-padroeiro do Brasil na 53ª Assembléia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB. Vale ressaltar que atualmente é patrono de inúmeras instituições de ensino no Brasil, sendo que uma das maiores é a de Jundiaí, Estado de São Paulo, integrada por cursos desde o ensino fundamental até o universitário, do qual orgulhosamente faço parte como professor da Faculdade de Direito do Centro Universitário Padre Anchieta há trinta e um anos.

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor e professor universitário. Presidente da Academia Jundiaiense de Letras (martinelliadv@hotmail.com)


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