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COLUNA DO MARTINELLI: “O GABINETE”, jornal mimeografado, sucesso entre os jovens jundiaienses nos anos 70

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI | 26/05/2019 | 05:00

Um dos principais pontos culturais de Jundiaí, o Gabinete de Leitura Ruy Barbosa, localizado na Praça com o mesmo nome do escritor baiano, no centro da cidade, há muito tempo propicia entretenimento e muitas opções literárias aos seus associados, sobrevivendo inclusive, ao forte apelo tecnológico da internet. E lembramos aspecto interessante de sua história: um periódico que circulou há quase cinquenta anos atrás e lançado também na data comemorativa da cidade.         

 Em meados de outubro de 1970, um grupo de alunos do curso colegial, dois do Instituto Experimental de Educação de Jundiaí, eu e José Carlos Fonseca, e dois do Colégio Estadual Dr.José Romeiro Pereira (GEVA), Allan Ferraz dos Santos Jr. e Clóvis Camilo Abumrad, resolveu reeditar “O Gabinete”, que tinha circulado na década de 40, então sob a coordenação do Prof. Joaquim Candelário de Freitas. A partir daí iniciaram conversações com os diretores da entidade, para que fosse adquirido um mimeografo elétrico, a grande novidade da época, o que efetivamente ocorreu.

Assim, no dia 14 de dezembro de 1970 circulava a sua primeira edição. As despesas com a sua confecção eram cobertas pela única publicidade veiculada, a da Brasil Escolas Reunidas do saudoso prof. Emílio José dos Santos, depois substituída nas edições futuras por um anúncio do Credi Rei. Contou com grande apoio de Tobias Muzaiel, diretor do Jornal de Jundiaí e do Diário de Jundiaí e tio de um dos idealizadores, Clóvis, cujo apelido era “Cuca”.

O jornal circulou até abril de 1971, quando por falta de recursos financeiros e por imposição de alguns diretores ligados ao regime militar, que sentiam se desconfortados com algumas abordagens, foi extinto, trazendo em sua edição de n. 6, uma bela capa idealizada pela artista-plástica Maria Lúcia Martinelli Panizza, enfocando algumas atividades do Gabinete de Leitura (livros, jogos de xadrez e damas, atividades artísticas) e ao centro, uma vista com lágrimas por essa despedida.

Durante o pouco tempo de sua existência se destacou pela importância dos temas enfocados e diretamente ligados à juventude; pelas notícias da entidade e pelo lançamento de alguns futuros  jornalistas locais como eu que iniciei carreira no JJ em 1971, Carlos Roberto de Almeida Motta, Jamil Giacomello, Sérgio Bocchino, Silvio Carlos Checchinato (colunista social do “Jund News”) e prof. Emílio Mazzola, que posteriormente assinou por muitos anos  uma coluna especializada em filatelia. Outros colaboradores foram Jorge Salim, Vera Mariotti, Valdir Tafarello, Maria Cristina Vieira, Arie Victor de Moraes, James Vianna, Manoel José Pontes de Oliveira, José Carlos Oliveira, Iberê Santos, Ricardo da Cunha Mello e Ademar dos Santos Filho.

Todo ele era feito pelos quatro idealizadores, desde a datilografia no “estêncil”, até a impressão realizada nos porões do Gabinete de Leitura onde permanecia o mimeógrafo. Era um trabalho árduo, mas compensador face à grande repercussão que obtinha, principalmente entre estudantes. Uma época marcada pela ativa participação dos jovens na vida comunitária e pelo próprio encanto do momento, repleto de criações artísticas de alto nível e por uma permanente revolução etária.

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor e professor da Faculdade de Direito do Centro Universitário Padre Anchieta de Jundiaí. É presidente da Academia Jundiaiense de Letras (martinelliadv@hotmail.com)


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