Jundiaí

COLUNA DO MARTINELLI: PÁSCOA. “É preciso superar a crise do amor verdadeiro entre as pessoas humanas”


Páscoa. Palavra que representa passagem, esperança e busca pelo novo. Importa assim em ressurreição que é a própria vida revelada numa convivência fraterna. Sua importância ultrapassa os aspectos religiosos, pois ela gera um tempo de reflexão sobre a superação do egoísmo, das desigualdades e dos preconceitos, preceitos básicos à regular ordem social instituída pelo Direito. Mesmo numa sociedade decadente como a nossa, onde a maioria só confia no valor da esperteza, na força da competição e na qual a corrupção foi praticamente “institucionalizada”; mesmo diante de uma crise de solidariedade, na qual a violência é uma constante e o ser humano permanece num clima de desconfiança em relação ao seu semelhante, a vitória de Cristo sobre a morte continua ocorrendo e apontando à força da transformação que vem da conversão do coração. E nesses dias de complexas situações motivadas pelo corona vírus, apesar de muitas manifestações de fraternidade, ainda não entendemos concretamente as mensagens cristãs. A humanidade, tão envolvida em interesses materiais, deve se lembrar sempre da primeira expressão que Jesus disse aos apóstolos quando apareceu ressuscitado: “A paz esteja com vocês”. Essa paz não acontece por acaso; é preciso que cada pessoa a deseje e se disponha a batalhar para que ela prevaleça nos relacionamentos, desde os mais íntimos, restritos ao seio familiar, até os que ultrapassam os limites de ruas, bairros, cidades, estados e países, envolvendo pessoas de todas as raças, idades, cor e condição social. O nosso povo está carente deste estado de espírito, por que falta a maioria, as condições básicas e muitos dos direitos fundamentais que lhes possam outorgar um mínimo de dignidade. Por isso, a vida nova que Jesus anuncia e a Justiça Social busca incessantemente, acabará com as injustiças, a fome e a miséria, alcançando o estágio que dar a vida pelo irmão significa criar condições para que ele seja sujeito de sua própria promoção. É preciso superar a “crise do amor verdadeiro entre as pessoas humanas”, como ressaltou certa vez o saudoso D. Luciano Mendes de Almeida. Para tanto, o comodismo tem que ser afastado e mais do que nunca devemos repudiar e combater tudo que se insurge contra tal concepção. Assim, o brasileiro não pode aceitar tanto desrespeito pela coisa pública que tem caracterizado o comportamento de muitos políticos e sair às ruas para manifestar sua desaprovação pela falta de ética não só na política nacional, como muitas vezes nos atos de alguns integrantes dos próprios Poderes constituídos em geral. A vida venceu a morte com a ressurreição e Jesus e continua vencendo-a onde há gestos de solidariedade e esperança. Sabemos que não há vida sem amor; quem não ama não compreende o próximo, não sabe o que é respeito, desconhece ou burla as normas do Direito, gerando constantes angústias e sofrimento nos outros. Nesta Páscoa, busquemos entender a mensagem de Cristo para lutarmos intensamente por um mundo mais justo e fraterno, onde a partilha possa ser sua característica máxima. Notadamente quando somos surpreendidos com uma situação como a atual, na qual todos procuram a proteção diante de um grande mal – corona vírus – que demonstrou o quanto somos vulneráveis e finitos. Daí a necessidade premente de convivermos em harmonia e paz, com Deus em nossos corações. JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor e professor da Faculdade de Direito do Centro Universitário Padre Anchieta de Jundiaí. Ex-presidente das Academias Jundiaienses de Letras e de Letras Jurídicas ([email protected])

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