Jundiaí

COLUNA DO MARTINELLI: Patriotismo não tem fórmula, nasce da transmissão dos verdadeiros valores


O mês de setembro, que se inicia nesse domingo, é repleto de datas comemorativas, algumas delas estritamente ligadas ao Direito, notadamente por revelarem aspectos inerentes aos direitos fundamentais do ser humano, a começar pela celebração do Dia da Independência, aos 7 de setembro, antecedido por diversas festejos cívicos durante toda a Semana da Pátria. Tais datas implicam numa conscientização sobre aspirações e deveres a que todos se sujeitam, a fim de se consolidar em nosso País, o Estado Democrático de Direito.

Com efeito, a independência é, antes de tudo, um processo, uma condição a ser conquistada a cada dia, fazendo das oportunidades cidadãs, como as eleições que se avizinham o momento em que o grito de liberdade alcance indistintamente todas as camadas da população, pondo-se fim à enorme exclusão social, à grande concentração de renda nas mãos de poucos e à privação para a maioria, dos bens mais primários. Uma nação que não investe prioritariamente em educação, trabalho, saúde e cultura, não pode ser considerada autônoma e, assim, seu povo também não o será de fato.

O Brasil atualmente, apesar da onda ufanista reinante, tem sérios e profundos problemas que demandam soluções urgentes, sob pena de se instituir um verdadeiro caos social, onde o desrespeito às normas e às instituições se transforme em abusiva e impune constância. Por isso, um dos maiores desafios é incentivar a população a ações participativas nos mais variados setores sociais, principalmente o político. Imprescindível que o povo se organize, auxilie e atue diretamente, procurando soluções ao seu alcance, reivindicando, fiscalizando, cobrando de nossas autoridades a satisfação de seus anseios constitucionalmente garantidos.

Nesta trilha vale lembrar que quanto menor politicamente for a modernidade da   sociedade, maior será o nível de contaminação da atividade pública por grupos de interesses e personalismos espúrios. Muitos de nossos representantes, sem partidos autênticos ou programas coerentes, trocam a luta por reformas concretas que beneficiariam gerações futuras pelo garimpo de benefícios paroquiais e vantagens pessoais.  Há limites, porém, que não podem ser ultrapassados, sob pena de se reduzir a negociação política a um bazar de cargos e favores. Assim acontece quando a pressão econômica controla as agremiações partidárias, decide sobre o recrutamento de seus militantes e o tipo de diligência conveniente às bancadas. Ou quando segmentos corruptos abastardam os negócios públicos traficando mandatos e leiloando apoios.

Como conseqüência, esse triste quadro revela outras questões e males, que vêm dilacerando a convivência comunitária, entre os quais, a fome, o desemprego, a violência e a falta de moradia. Precisamos intensificar os esforços para despertar esse espírito de luta. Para tanto, é urgente deixarmos de lado o comodismo e o egoísmo, mudar nossos modos de pensar e agir, buscar decisivamente por caminhos que garantam uma vida digna à maioria dos brasileiros e não apenas a uma minoria privilegiada. Reiteramos: ao analisar o ameaçado cotidiano, verificamos a imediata necessidade da transmissão dos verdadeiros valores, para se situar os paramentos do certo e do errado. Tais princípios básicos, além dos pertinentes à ordem e ao Direito, devem servir como referências ao ser humano, tornando-o eticamente responsável e ao mesmo tempo próximo, solidarizando-se com aqueles com quem convive, participando ativamente dos destinos da Nação.

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor e professor da Faculdade de Direito Padre Anchieta de Jundiaí. É ex-presidente das Academias Jundiaienses de Letras e de Letras Jurídicas. Mestre em Ciências Sociais e Jurídicas ([email protected])


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