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COLUNA DO MARTINELLI: Praças, centros de lazer democráticos

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI | 20/10/2019 | 06:00

Uma cidade sem praças é uma cidade onde as pessoas não se encontram. Em uma definição bastante ampla, encontrada na internet, praça é qualquer espaço público urbano livre de edificações e que propicie convivência e/ou recreação para seus usuários. Desta forma, humanizam os municípios e são centros de lazer democráticos e gratuitos, abertas a pobres e ricos, crianças e idosos.

Na praça sem preconceitos, brincam as crianças, os idosos jogam cartas, os namorados se beijam, os cachorros passeiam e fazem xixi nos postes, todos batem papo e se encontram para fazer o que tiver vontade. A praça é do povo. O compositor Caetano Veloso a celebrizou indicando que “a praça Castro Alves é do povo, como o céu é do avião”.

Há muita poesia e música falando de seus encantos e da sua concepção democrática. No final dos anos 60, Ronnie Von cantava as lembranças de “um banco da pracinha onde um amor nasceu”. Uma música que era de domínio público e acabou sendo registrada como de autoria de Carlos Imperial.

Até na TV ela se constitui em grande sucesso.  Há trinta e dois anos, comemorados em maio de 2012, “A Praça É Nossa” traz ao SBT muita diversão e um humor inocente com personagens autênticos e universais. O seu apresentador, Carlos Alberto da Nóbrega já havia herdado do pai, Manoel da Nóbrega, programa semelhante, “A Praça da Alegria”.

As praças são carregadas de gente de fé. Muitas delas abrigam igrejas que promovem atos litúrgicos prestigiados por fiéis que acabam passando por elas. Ainda são tão simpáticas as nossas recordações, que até uma pessoa quando é boa, recebe carinhosamente a indicação “boa praça”.

Falamos tudo isso, porque 22 de outubro, terça-feira, é o Dia da Praça.

Momento de celebrarmos esse centro democrático que até serve de dormitório para muitos desabrigados e mendigos. Como propósito urbano que vincula o indivíduo à sociedade, fazendo com que ele partilhe construtivamente da vida do seu semelhante, a praça  encerra vários aspectos que nos levam a solidariedade.

Tratam-se de circunstâncias importantes já que o futuro, coletivo e individual, depende de esforços pessoais que se somam e começam a mudar pequenas questões para, estruturado numa boa dose de renúncia, alcançar gradualmente, e o quanto antes, a consolidação de uma convivência afável e justa.

E um momento da música consagrada: “A mesma praça, o mesmo banco, as mesmas flores, o mesmo jardim, tudo era igual, nada mudou, mas estou triste porque não tenho você perto de mim”.

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor e professor da Faculdade de Direito do Centro Universitário Padre Anchieta de Jundiaí. É ex-presidente das Academias Jundiaienses de Letras e de Letras Jurídicas (martinelliadv@hotmail.com)


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