Jundiaí

Com 33 casos na região, rua no Jd. Planalto convive com o medo

T_AM646433530008_Easy-Resize.com
Crédito: Reprodução/Internet
A rua Guilherme Schüller fica localizada no Jardim Planalto, região da Vila Alvorada, terceira com mais casos confirmados de covid-19, 33 até este sábado (23). Situada a aproximadamente três quilômetros do Anhangabaú, com seus 35 casos, segundo bairro com mais infectados. O coronavírus mudou a rotina de seus habitantes e, como o resto do país, há quem ache que as mortes não existem e, com pensamento mágico, saem às ruas sem máscaras. A maioria, entretanto, segue a rotina com proteção e, a partir de segunda-feira (25), a testagem gratuita do covid-19 começa a ser feita na região. Esta rua, que liga a avenida João Antonio Meccatti com a avenida Osmundo dos Santos Pellegrini, é pacata e residencial, de classes média e média alta. As pessoas em sua maioria evitam sair de casa e têm conhecimento dos devidos cuidados a serem tomados para a prevenção ao coronavírus. Isto vale para os jovens e idosos que vivem no local, mas por que então há tantos casos neste bairro e em outros de classe média? Isabela Anale da Silva Martins pensa que uma hipótese é as pessoas de lá terem mais acesso à saúde. “Em outros bairros devem ter casos, mas as pessoas não são diagnosticadas”, supõe a corretora imobiliária. Além dela, o marido e o filho residem no local, mas durante o dia a sócia do casal também permanece trabalhando lá. “A gente mora em três, mas ficam quatro, geralmente, durante o dia.” Parcialmente parada desde o início da pandemia, agora ela consegue atender alguns clientes, mas sempre tomando as precauções devidas quando é necessário o contato com eles. “Tem álcool no carro e dentro de casa. Tomo cuidado com o meu filho que é pequeno. No mercado vai só um por vez”, diz ela que, ainda assim, percebe o movimento alto nos estabelecimentos, inclusive de idosos, pertencentes ao grupo de risco da covid-19. O engenheiro agrônomo Caetano de Souza Junior passeia diariamente com o cachorro Jimi (igual a Jimi Hendrix) por sua rua, a Guilherme Schuller. Junior vive com a mãe de 68 anos e conta que ela não costuma sair de casa neste período. Ele trabalha em casa e evita ao máximo as saídas, mas como atua em uma área que nunca para, toma os cuidados necessários quando tem de ir a campo. “Uso máscara, álcool em gel e o cumprimento é japonês, a distância”, comenta brincando. “Sempre ouço de madrugada uns pancadões, igrejas, mas são de bairro vizinho. Aqui no Jardim Planalto eu não vejo festas nem aglomeração”, diz ele sobre a tranquilidade do local. Próximo dali, ainda na Guilherme Schuller, o microempresário Claudio Carrero estava com pressa, prestes a sair de casa. Ele está sem serviço no momento, mas divide a casa com a esposa, a filha e o genro, que estão em home office, além da neta, de apenas dois anos. “Mexo com segurança, mas ninguém quer que eu chegue perto da casa agora”, diz ele sobre o receio dos clientes às visitas, com o perigo da pandemia. Carrero tem frascos de álcool por todo lado e diz que na vizinhança as pessoas têm respeitado o isolamento, permanecendo bem confinados. “Eu penso nas pessoas que não têm condições. A gente ainda, graças a Deus, consegue se manter por um tempo”, comenta o microempresário sobre quem precisou parar de trabalhar neste período. O caminhoneiro Valdemir José Dulianeu, que continua trabalhando, diz não ter mais medo de sair de casa. “Trabalho todo dia, mas tomo as precauções e uso máscara.” As peças são confeccionadas pela esposa de Valdemir, Márcia Dulianeu, que comenta sobre os cuidados que a família vem tomando. “A gente não vai nem visitar nossos pais. Minha filha está trabalhando de casa, mas meu filho também é caminhoneiro”, explica ela, contando que na volta para casa pai e filho imediatamente lavam as mãos, tiram os sapatos e põem as máscaras para lavar. Valdemir aproveitava o tempo livre do serviço para passar uma demão de verniz no portão de madeira. “Eu acho que eu não tenho não, mas vai saber. Em todo lugar que a gente vai já tem marcação no chão para respeitar o espaço e não ficar perto”, diz ele referindo-se à covid-19 e às medidas adotadas para a prevenção. Quase na última casa da rua mora uma senhora simpática, Maria de Lurdes Cassanha, sempre sorridente, ela fica na porta de casa, mas não se aproxima nem do portão. “Minha filha é comissária de bordo e desde janeiro ou fevereiro, quando ela fez o último voo, a empresa orientou a não fazer visitas. Ela vem me ver e fica na rua e eu aqui”, diz Lurdes rindo. Sobre as saídas, a outra filha que mora com ela e está sem trabalhar é quem vai fazer compras quando necessário. “Tem álcool em todo lugar. Quem chega da rua já tira o sapato”, diz ela mostrando os frascos do produto antisséptico. Lurdes repara que muitas pessoas passam na rua sem usar máscaras e vão aos mercados, que estão sempre cheios, deste modo. “Olha a minha vizinha, saiu sem máscara, acha que isso é politicagem. Depois que acontece...”, fala ela mostrando a vizinha idosa, já com cabelos completamente brancos, saindo à rua sem proteger a face. E, quando tudo acabar, ela já sabe qual é o primeiro lugar em que irá. “Eu quero ir a um restaurante e no mercado também. Eu gosto de fazer compras”, comenta, esperando paciente a pandemia acabar, por mais que goste de sair.   TESTES A partir da próxima terça-feira (26), a Prefeitura de Jundiaí iniciará a testagem de pessoas assintomáticas para detectar possíveis infectados pelo coronavírus. O trabalho é uma parceria entre equipes da Unidade de Gestão de Promoção da Saúde (UGPS), Faculdade de Medicina de Jundiaí (FMJ) e o Centro Universitário Campo Limpo Paulista (Unifaccamp). Os domicílios visitados serão escolhidos através de sorteios. A meta é visitar 1,3 mil domicílios com a possibilidade de testar entre quatro e cinco mil pessoas. Os bairros onde serão aplicados os testes estão disponíveis no site da Prefeitura de Jundiaí, na página dedicada às informações sobre o coronavírus e também no Jornal de Jundiaí através deste endereço.

Notícias relevantes: