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Com 350 trotes por mês, Samu pede conscientização

GUILHERME BARROS | 14/03/2020 | 05:00

Das aproximadas 2,3 mil ligações recebidas por mês pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), 350 delas são de informações falsas, os conhecidos trotes. Em média são 12 atendimentos por dia sem qualquer natureza, o que atrapalha o trabalho dos técnicos auxiliares em regulação médica.

A estimativa é que a cada 100 ligações recebidas, 15 delas sejam de ocorrências inverídicas. “Na maioria dos casos o trote é feito por crianças e o índice aumenta durante as férias. Temos também relatos de adultos que cometem essas infrações”, relata o coordenador médico do Samu de Jundiaí, Mário Jorge de Castro Kodama.

Ele recorda um caso de anos atrás, quando várias unidades foram deslocadas para um falso relato de acidente envolvendo diversos veículos no Jardim Novo Horizonte. “Foram várias ligações orquestradas por adultos ao mesmo tempo e envolveu outras forças de segurança. Isso, além de gerar gastos para o município, é crime”, comenta.

Do total das 2,3 mil ocorrências mensais, as ambulâncias são enviadas para pelo menos 1,3 mil ocorrências. Alguns dos casos podem ser orientados pelo telefone e não necessitam de suporte. “As atendentes passam os casos para um dos três médicos que trabalham em plantão de 24 horas. São eles que avaliam se as unidades devem ou não se deslocar para o atendimento. Os casos mais graves, como relatos de dores no peito, insuficiência respiratória, acidentes em geral, crimes por arma branca ou por arma de fogo são os que demandam mais atenção”, enfatiza.

Durante o dia, das 7h às 19h, quatro unidades básicas de atendimento são utilizadas. À noite, entre 19h e 7h, são três básicas. Já a Unidade Superior Avançada (USA) funciona 24 horas. Outra delas atende o Vetor Oeste, com base na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) daquela região. São pelo menos 140 mil habitantes naquela região.

Entre integrantes da equipe estão Kauã Faria e Mário Verício. “Nós tínhamos um gargalo muito grande em relação ao tempo de deslocamento até o Jardim Novo Horizonte e Fazenda Grande. Com a abertura da UPA resolvemos este problema”, continua o gestor. O Vetor Oeste é uma área de moradia de aproximadamente 140 mil habitantes.

Integração
Para agilizar o máximo de tempo de resposta no atendimento, os treinamentos são constantes, inclusive para identificar casos de trote. Para atender toda a cidade, hoje com aproximadamente 420 mil moradores, a logística tem que estar em dia. “Não são apenas ocorrências de rua que atendemos. As Unidades Básicas de Saúde e os Pronto Atendimentos também fazem parte deste fluxograma. Nós podemos deslocar o paciente, em sua grande maioria, para o São Vicente mas, quando se trata de caso conveniado, também encaminhamos para os hospitais particulares”, adianta Kodama.

Elogiando o trabalho do sistema de saúde da cidade, o coordenador enfatiza que o trabalho de conscientização tem avançado, mas precisa de reforço. “ O trote atrapalha no tempo de triagem e pode, por uma ligação, tirar a oportunidade de quem realmente necessita de assistência”, finaliza Mário, lembrando que o artigo 340 do Código Penal prevê a esta prática de 1 a 6 meses de prisão ou multa.

 


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