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Com a reforma da Previdência, jovens de 16 a 25 anos já são 10% na Bolsa

Guilherme Barros | 15/12/2019 | 06:01

O empresário Lucas Rigolino, 31 anos, traçou uma meta ousada para os padrões da economia brasileira atual. Ele se atentou com o rendimento de poupança e decidiu investir na Bolsa de Valores para aumentar seu rendimento. “Comecei a entender que a renda fixa não vai ser suficiente daqui para frente. A inflação está subindo mais que a poupança, então busquei e renda variável. Tem que estudar o mercado primeiro e toma tempo durante o dia. Você pode ser empresário e ter uma garantia maior na Bolsa de Valores. A oportunidade é para todos, e todo mundo troca mais conhecimento e o resultado está dentro do esperado até agora”, comemora. Além de operar na Ibovespa, é sócio de um pub em Jundiaí.

Rigolino ilustra um cenário que tem se tornado tendência no mercado de ações. Aos 31 anos, ele está com idade um pouco acima da média de mercado de jovens que se preparam para entender melhor os movimentos financeiros, uma regra que tem mudado o perfil do acionista nos últimos anos. De acordo com uma pesquisa realizada por uma consultoria especializada em mercado financeiro, o número de pessoas entre 26 e 35 anos que investiram na Bolsa de Valores saltou de 124.904 pessoas em 2017 para 498.771 em 2019, acréscimo de 301%. É a faixa etária que mais tem acionistas.

Os investidores com idade entre 36 a 45 anos passaram de 115 mil para 410 mil neste mesmo período. Já os idosos, com mais de 66 anos, também registraram alta no número de investidores. Hoje, eles são 136 mil, ante 96 mil em 2017.

Se levar em consideração os empreendedores entre 16 e 25 anos, o número surpreende. Em 2017, eram 17.894 pessoas que investiram em renda variável. Hoje, este número salta para 166.353, alta de 876%. “O brasileiro ainda é muito conservador, principalmente por uma herança de planos econômicos ineficientes e inflação muito alta, mas notamos que no último ano cresceu muito o interesse pela Bolsa de Valores e investimentos mais arrojados. Em outubro, por exemplo, a Bovespa atingiu a marca de 1,5 milhão de investidores no ano de 2019, foi um aumento de aproximadamente 700 mil investidores desde o início do ano”, destaca a analista financeira de um escritório de investimentos de Jundiaí, Mariana Ozi Prado.

Apesar de a mulheres estarem se interessando mais pelo universo financeiro, os homens ainda são maioria nas operações. “Observamos isso em nossas turmas de cursos de Bolsa de Valores, 90% dos alunos são homens”, conclui a analista.

PRIMEIRO MILHÃO

A reforma da Previdência parece ter aberto a mente de muitos jovens, que sabem que não contarão com uma aposentadoria polpuda. Esse é um dos fatores que fazem com que pessoas com menos idade invistam em outros mercados alternativos. “A área financeira passou a ser muito procurada por jovens. Isso devido à própria divulgação do mercado financeiro. E há muitas oportunidades de se investir diretamente em bolsa e outros tipos de investimentos financeiros. Os jovens se tornam mais responsáveis pelo que ganham. Além disso, o mercado financeiro é uma forma de aumentar o patrimônio das pessoas. Cada vez mais a educação financeira é presente. A falta de emprego também faz com que os jovens procurem o mercado financeiro como forma de terem uma atividade”, avalia o professor de economia, Marino Mazzei Jr.

“Supondo que um jovem de 20 anos queira acumular R$ 1 milhão, esta quantia poderia ser alcançada em até 40 anos considerando um investimento mensal de R$ 502,13, em aplicação com rendimento, já descontada a inflação, de 0,5% ao mês”, finaliza o mestre em economia da Fundação Getúlio Vargas, Daniel Glória.

Só em 2019, o número de acionistas físicos dobrou em relação aos registros de todos os anos anteriores.


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