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Com dívida de R$ 4 milhões, Grendacc tem fôlego até março

Niza Souza . csouza@jj.com.br | 30/12/2017 | 10:28

[vc_row][vc_column][vc_column_text]Depois da ameaça de fechar as portas em novembro por falta de recursos financeiros, o Grendacc (Grupo em Defesa da Criança com Câncer) encerra o ano de portas abertas, mesmo sem a resolução de credenciamento pelo Ministério da Saúde. Mas acumula uma dívida que já chega a R$ 4 milhões. Se o problema de credenciamento não for resolvido em breve, a entidade prevê que tem fôlego para funcionar até março de 2018.

Diretora-presidente do Grendacc, Verci Andrêo Bútalo avalia que este foi um ano extremamente difícil, “o pior que já passamos nos 22 anos de funcionamento”. Segundo ela, o que está segurando o hospital aberto são as doações da comunidade, que tem se mobilizado de todas as formas para ajudar. “É difícil para nós termos uma dívida tão grande. Isso nunca aconteceu antes, enquanto funcionávamos como ambulatório. É uma situação completamente nova”, desabafa Verci, lembrando que até o 13º salário dos funcionários está sendo parcelado.

Pior do que a crise financeira, destaca a diretora, é a indefinição do Ministério da Saúde sobre o que vai acontecer. O Grendacc espera pelo credenciamento da UTI e do Hospital da Criança na Unacon (Unidade de Alta Complexidade em Oncologia), que vem sendo negado por causa do número de leitos da UTI.

Mesmo sem a habilitação, a entidade está funcionando como hospital, aberto 24 horas, o que fez os custos saltarem de R$ 800 mil para cerca de R$ 1,5 milhão por mês. O quadro de pessoal quase dobrou, para cerca de 180 funcionários. “Já estamos estudando como reduzir o pessoal. Mas é difícil, porque na parte técnica, de atendimento, não tem como diminuir.”

Apesar dos problemas, Verci diz que não perder a esperança, o mantra para 2018. “Participei de reuniões do Aglomerado Urbano de Jundiaí (AUJ) e ouvi a promessas das cidades que utilizam o Grendacc e não contribuem de rever a situação e repassar alguma verba já no ano que vem. Espero que as promessas realmente se concretizem. Que as reuniões do AUJ surtam efeito e que possamos respirar mais aliviados para fazermos o trabalho de apoio às crianças e adolescentes com doenças graves na Região, o mais eficiente possível”, diz.

“Além disso, temos esperança de que o Ministério da Saúde decida habilitar o hospital. Mas por enquanto, estamos sobrevivendo. Vivendo um dia de cada vez.”

Em nota, o Ministério da Saúde informa que adotou todas as providências para o atendimento de oncologia pediátrica em Jundiaí, “como ficou definido em reunião realizada com o gestor municipal e o ministro Ricardo Barros”. “A documentação e proposta enviada pelo gestor municipal ao Ministério da Saúde foi diligenciada no início de novembro de 2017 e, apesar de contatos realizados com a Secretaria Municipal de Saúde de Jundiaí, até o momento não há novos encaminhamentos”, afirma a nota.

Números
Em oito meses de funcionamento, o Hospital da Criança realizou 203 internações, recebeu 20 novos casos de câncer infantojuvenil e teve uma taxa de óbito, também em oncologia, de apenas 20%, a exemplo dos grandes centros mundiais. Trinta crianças com câncer seguem em tratamento. Nesse mesmo período, na UTI, foram mais de 40 internações e 27 procedimentos realizados no centro cirúrgico. “Tudo isso diante das inúmeras dificuldades que estamos enfrentando e da maior crise financeira da nossa história”, destaca a presidente.

Também graças ao hospital, o Grendacc pôde realizar sua primeira hemodiálise em paciente oncológico. A criança, de 10 anos, passou pelo procedimento de alta complexidade na UTI do hospital, sob os cuidados do nefrologista pediátrico Antônio César Paulillo de Cillo. Segundo explicou o especialista, a realização do procedimento nas dependências do próprio hospital é um grande avanço para o Grendacc, principalmente diante do cenário da saúde do Brasil, que atualmente ainda possui muitos hospitais pediátricos que não conseguem oferecer tal serviço.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row]


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