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Com isolamento, corridas caem 50%

KÁTIA APPOLINÁRIO | 18/03/2020 | 05:00

Com o aumento de casos suspeitos de coronavírus e as medidas de isolamento anunciadas pela gestão, as ruas estão cada vez mais vazias. Com escolas paradas, serviços suspensos e empresas optando pelo home office, os motoristas de aplicativo estão sentindo na pele o impacto deste isolamento forçado.

O motorista de aplicativo Osvaldo Batista de Aguiar, de 53 anos, diz que se resguardar é a melhor melhor opção. “Tenho deixado os vidros abertos, levo comigo um bom álcool gel, mas estou cogitando fazer uma pausa nos serviços até que a situação se normalize”, conta o profissional ciente da importância de seguir as instruções gerais.

Fábio Alexandre Zo, de 37 anos, também é motorista e disse que na última semana o número de corridas caiu pela metade. “Costumava fazer de 30 a 35 viagens por dia, agora estou recebendo em média 15 chamados”, compartilha, valendo-se de que ontem chegou a esperar duas horas parado sem sequer um pedido de corrida, situação anormal em dias corriqueiros.

Ao lado da falta de trabalho, outra preocupação desses profissionais é ter que escolher entre o contágio e o pagamento das contas. “É complicado porque ao mesmo tempo em que eu não quero me colocar em risco, eu não posso parar. Esta é a minha fonte de renda”, reitera Fábio Alexandre.

E completa: “Pensei em trabalhar usando máscaras. O álcool gel eu já procurei em cinco farmácias e em todas o produto estava esgotado”, diz

Procurada, a assessoria de imprensa da Uber alega que tem seguido as orientações dos principais órgãos de saúde e que tem mantido os motoristas informados. “Permanecemos em contato próximo com as autoridades locais de saúde pública e continuaremos a seguir as orientações para ajudar a impedir a propagação do coronavírus”, diz.

Além dos motoristas de aplicativo, os taxistas também são afetados neste momento. Claudinei Clemente, de 46 anos, trabalha com transporte de pessoas há 15 anos e se preocupa com a situação. “Eu presto serviço para hotéis, levo passageiros ao aeroporto, e por isso tenho contato direto com muitos estrangeiros, então sei do risco que estou correndo”, afirma.

Claudinei demonstra ainda preocupação com os demais colegas de profissão. “A situação está complicada não só para os taxistas, mas também para os motoristas de aplicativo, de ônibus urbanos e de fretamento. Estamos todos muito expostos à população”, ressalta e comenta que instruiu os colegas mais próximos a sempre carregarem consigo um frasco de álcool gel para a própria higienização e para os passageiros que desejarem.

TRANSPORTE PÚBLICO
Um dos principais questionamentos dos leitores do Jornal de Jundiaí tem sido a respeito do funcionamento do transporte público na cidade.

A Unidade de Gestão de Mobilidade e Transporte (UGMT) afirma que durante o período de isolamento, as linhas universitárias de ônibus de Jundiaí 410 (Terminal Vila Arens-UNIP) e 420 (Terminal Central-Unianchieta) estão suspensas, seguindo comunicado das instituições Universidade Paulista e Unianchieta, que ficarão sem aulas em caráter preventivo por conta do coronavírus.

Além disso, foram intensificados os procedimentos de higienização dos carros. Em todos os terminais equipes estão efetuando a limpeza interna dos coletivos entre uma viagem e outra, sem atrapalhar os horários de partida. Além de corrimãos, estão sendo higienizados bancos, balaústres e pega mão. Também na garagem, os ônibus estão passando por limpeza completa.

Como medida de segurança, o motorista de aplicativo, Osvaldo Batista de Aguiar cogita fazer uma pausa nos serviços

 

Claudinei Clemente transporta muitos estrangeiros e está se prevenindo


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