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Com o frio, cresce preocupação com moradores de rua

SOLANGE POLI | 21/04/2019 | 05:01

Para quem circula tanto em bairros como na área central de Jundiaí, a sensação é que muitos moradores que se encontram em situação de rua continuam vulneráveis, dormindo em praças, calçadas e embaixo de viadutos. Diante desse quadro, intensificam-se as ações de proteção, cuidados e inserção dos assistidos, com projetos e oficinas que promovem integração, respeito e recuperação da autoestima.
“Temos a Casa de Passagem, que é a porta de entrada, com capacidade de acolhimento de até 32 pessoas, e o Serviço Especializado em Abordagem Social, o Seas, serviços em que trabalhamos como parceiros da prefeitura, ou seja, conveniados. São cinco casas de acolhida e três abrigos. Chegamos a acolher cerca de 100 pessoas por dia”, afirma Nilson Roberto Begiato, gerente do Serviço de Obras Sociais (SOS).
No SEAS, onde o ambiente de trabalho é a própria rua, segundo Begiato, é feito o levantamento estatístico e administrativo. A assistência inclui o cadastro individual, pernoite, café da manhã, almoço, jantar, higiene pessoal e atendimento técnico, com psicólogo, assistente social e terapeuta ocupacional.
“Com a escuta é traçado um diagnóstico e a permanência é de até três meses”, relata o gerente, lembrando que a partir daí os assistidos têm destinos diferentes, como voltar à cidade de origem e à família, ou mesmo conseguirem um emprego, o que garante um recomeço de vida.
Devolver os moradores à sociedade da forma mais digna possível é o propósito da equipe multidisciplinar que desenvolve atualmente os projetos Atletas das Ruas, Lutando pra Vencer e Futebol. Felipe Rodrigues Teixeira, psicólogo da Casa de Passagem, comenta que o projeto Lutando pra Vencer, por exemplo, se resume na prática de duas modalidades de artes marciais.
“Um professor voluntário abriu espaço na academia onde atua para ensinar os assistidos. Já fomos questionados se há possibilidade de instigar a violência. O efeito quando se tem contato com essas modalidades é exatamente o contrário. A prática dessas atividades desenvolve o bem-estar, a disciplina, o respeito e interações saudáveis entre os praticantes, funcionando como uma ferramenta de proteção”, explica.
Os demais projetos seguem o mesmo princípio, sempre com o objetivo de estabelecer uma rotina e interações saudáveis, fortalecendo assim o vínculo entre os assistidos entre si e também com a equipe envolvida. A média da idade dos participantes dos projetos é entre 30 e 35 anos. Na Casa de Passagem, são seis vagas para mulheres e 26 para homens, o que revela a predominante demanda masculina.
A Unidade de Gestão de Assistência e Desenvolvimento Social (UGADS) informa que há uma rede estruturada no município para o atendimento da população em situação de vulnerabilidade social, promovendo a conscientização sobre o protocolo correto de encaminhamentos, com base no que preconiza a Política Nacional de Assistência Social.
O fluxo de atendimento é pautado no resgate da dignidade das pessoas que sobrevivem no ambiente da rua, sendo o Centro Pop o articulador desta Rede de Assistência, interagindo com as demais políticas públicas, como Saúde, Educação, Cultura, Habitação e outras. O atendimento não exige agendamento e oferece acompanhamento técnico com assistentes sociais e psicólogos, apoio para alimentação, higiene pessoal, acesso a documentação e guarda de pertences. Somente em 2018, foram realizados no Centro Pop 7.784 atendimentos e 5.422 banhos, além da oferta de 10.463 sopas, como parte do Programa de Suplementação Alimentar (PSA) desenvolvido pela Fundação Municipal de Ação Social (Fumas).
Além da Casa de Passagem, em parceria com o Serviço de Obras Sociais (SOS), com serviço de pernoite e proteção social nos casos de desabrigamento temporário, do Centro Pop e da Abordagem Social, a rede conta com outros serviços como três unidades de abrigos (Ctec 1 e 2 e Casa Santa Marta), com acolhimento de maior duração após direcionamento do Centro POP, abrigos, Casa de Passagem e Rede. Há também a República, um serviço de reinserção social junto à comunidade após abrigamento e início da autonomia.
As médias mensais de pessoas atendidas pelo Centro Pop foram de 235 para os meses de 2014; 199 em 2015; 314 em 2016; 364 em 2017 e 336 em 2018. Esses números incluem também assistidos de outros municípios que são recambiados para a origem, se algum familiar se responsabilizar pelo acolhimento.

CASA DE PASSAGEM SOS RODRIGO LOURENCO DA SILVA


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