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Comércio fecha as portas após decreto

Thiago Batista | 21/03/2020 | 05:00

Comerciantes e funcionários tiveram uma sexta-feira (20) atípica no Centro e em pontos comerciais espalhados em Jundiaí. Alguns estabelecimentos chegaram a levantar as portas logo pela manhã, porém resolveram acatar o Decreto Municipal que determina, entre outras ações, a restrição de funcionamento de estabelecimentos comerciais apenas para os serviços essenciais. A princípio, a suspensão ficará em vigor até dia 5 de abril até que a situação do coronavírus se estabilize.

A gerente de uma loja de roupas na rua do Rosário, Juliana Batista, foi pega de surpresa com a proibição de abrir a sua loja. Ela conta que na quinta-feira os funcionários até receberam algumas recomendações, porém nenhuma ordem de fechamento. “Viemos porque nada era oficial.”

Segundo Daniela Carvalho, gerente de </CW><CW-34>uma loja de departamentos na rua Barão de Jundiaí, o medo era de ser multado. “Todo mundo está com medo de ser multado. Como eu não tinha o decreto em mãos, não posso resolver nada”, lembrou.

Funcionários de uma loja de roupas, também na rua Barão de Jundiaí, tiveram que voltar para casa. A gerente Rosineide Alexandrina disse que pelo menos 30% das funcionárias foram trabalhar. “As vendas baixaram 70% após declaração de pandemia”, contou.

De acordo decreto publicado ontem (20) na Imprensa Oficial, além de pontos comerciais, clubes recreativos e casas noturnas ficam proibidas de abrir, assim como shoppings centers.

Pegos de surpresas
Para tentar avisar os consumidores sobre o fechamento temporário das lojas, cartazes foram colados nos vidros ou até mesmo nas portas logo pela manhã, mas quem foi ao Centro resolver algum problema lamentou a decisão. O técnico de informática Vasco Antônio Ferracini, de 59 anos, somente ficou sabendo do fechamento do comércio quando já se dirigia ao Centro. Ele precisava trocar os seus óculos quebrados, mas entendeu a medida.

“Sem os óculos eu não enxergo quase nada. O que estou usando está todo remendado, mas vamos ter que esperar porque é uma doença que se propagada muito rápido, então e medida é válida”, comentou.

Situação futura

O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Jundiaí e Região (Sincomercio) e da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL), Edison Maltoni, entidade patronal que representa 14.500 estabelecimentos comerciais, propôs medidas emergenciais que visam estímulo das atividades econômicas durante o período de duração da crise. Uma delas é a prorrogação do prazo de pagamento do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e do Imposto Sobre Serviços (ISS), ambos referentes aos próximos seis meses, contados a partir de março.

“Sugerimos ainda a flexibilização dos horários de circulação de veículos de entrega de mercadorias e a suspensão da cobrança do estacionamento rotativo pago. Como entidades representativas do comércio, tratam-se de ações que devem fazer parte da agenda prioritária da administração municipal em razão das perspectivas econômicas e para manutenção das atividades empresariais”, avalia Maltoni.

O Sindicato dos Empregados no Comércio de Jundiaí e Região (Sincomerciários) concordou com o decreto estabelecido. O presidente Milton de Araújo afirma que a proteção ao trabalhador foi salvaguardada. “A gente precisava proteger o trabalhador até para evitar aglomerações, até fizemos este pedido na última segunda-feira”, afirma.
Segundo o gestor de Finanças, José Antônio Parismoschi, a projeção do PIB já despencou para zero, o que trará reflexos negativos para a arrecadação estimada no orçamento deste ano, que já não estava crescendo. “Temos na cidade grandes montadoras de produtos eletroeletrônicos que importam peças da China, e que fornecem para todo os país, a partir de Jundiaí. Com a interrupção de fornecimento dessas peças da China, onde começou o surto do corona, teremos impactos em nossa economia”, comenta.

O decreto
As exceções são as farmácias, supermercados, feiras livres, varejões, quitandas, centros de abastecimento e congêneres, padarias, bares, pizzarias, restaurantes, lanchonetes e postos de combustíveis. Também podem funcionar as lojas de conveniência, de alimentos em geral, alimentação para animais; distribuidoras de gás e de venda de água mineral.


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