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Comércio reduzido afeta o dia a dia do produtor

Nathália Souza | 31/03/2020 | 05:00

Diante do cenário atual e da ameaça generalizada de contágio do coronavírus, alguns tipos de comércio estão atendendo com horário reduzido para evitar aglomerações. Um deles é o Entreposto Central de Abastecimento de Jundiaí (ECAJ), local onde há a venda de produtos perecíveis e hortifruti para comerciantes de Jundiaí e Região e para o consumidor final.

Desde a semana passada o horário foi reduzido para seguir às determinações municipais. Agora o atendimento ao público é feito às segundas, quartas e sextas, das 6h às 12h. O local permanece fechado nos demais dias. Um dos comerciantes do local, André Luchesi, de 60 anos, conta que desde a mudança no horário as vendas caíram entre 60% e 70%, porém, como o forte no espaço é a venda para os feirantes, bufês e restaurantes, houve um reflexo com o fechamento destes espaços.

“Um amigo passou o trator sobre a plantação de alface porque não vai conseguir vender. Ele precisou perder hoje para poder plantar e colher daqui há três meses senão perde lá na frente também”, lamenta.
André conta que o preço da produção de frutas oriundas da Região caiu bastante, mas os legumes, que vêm de outros estados, como a batata do Paraná e a cenoura de Minas Gerais, tiveram aumento por conta da logística, já que muitos agricultores e caminhoneiros estão evitando o estado.

Segundo a gerente do ECAJ, Cláudia Montagner, de 43 anos, o entreposto diminuiu o horário de atendimento justamente para evitar aglomerações. Ela tem trabalhado em home office e diz não ter visto o movimento no local, mas conta que a principal clientela do entreposto é o pequeno comerciante.

“Pelo controle de clientes que a portaria faz, não diminuiu o movimento. Mesmo com a redução do horário, eles antecipam pedidos e vão buscar a encomenda já separada”.

Cláudia diz ainda que há muitos comerciantes do ECAJ que oferecem o serviço de entrega. Sobre alteração em preços, a gerente revela que não tem acompanhado essas informações, mas o “ECAJ não tem tabelamento de preços como o Ceagesp”.

O gestor da Unidade de Gestão de Agronegócio, Abastecimento e Turismo de Jundiaí, Eduardo Alvarez, acredita que a decisão do ECAJ em diminuir o horário de atendimento surgiu porque os comerciantes do entreposto também vendem no varejo, mas é o atacado o forte do espaço.

“Aquele pequeno produtor que tem uma horta continua vendendo na região e até melhorou, porém o maior problema é visto pelos produtores de frutas. Eles distribuem a produção para centrais de abastecimento, como o caso do ECAJ”, lembra o gestor.

Outro dado observado pelo gestor é que os restaurantes e hotéis não têm comprado com grande frequência. “Os grandes supermercados não compram em centrais regionais de abastecimento”, explica lembrando ainda que as feiras livres estão mantidas e os feirantes têm presença facultativa, mas não estão comparecendo porque o público diminuiu.

Ao consumidor
O presidente de uma cooperativa de produtores de frutas, Orlando Steck, de 59 anos, comenta que em uma época normal, a colheita de caqui seria de 3 a 4 mil caixas de 6 quilos por dia, mas não recebem mais pedidos e as frutas estão nos pés e, sem consumo, vão estragar. “O consumidor está ficando em casa e não consome frutas quando vai ao mercado”, conta o diretor.
Steck revela que só para Belo Horizonte a cooperativa enviava 1,5 mil caixas de frutas por dia, porém ficaram uma semana sem receber pedidos. Agora o pedido caiu para apenas 300 caixas.

Para o consumidor, o que resta são as pesquisas. Localizada na Vila Jundiainópolis,uma barraca vende de frutas a hortaliças e consegue um público fiel, Francisco Lopes da Silva e sua esposa Marinete Silva trabalham no local e, apesar de não serem os donos do espaço, falam sobre os reflexos do fechamento no comércio.

“O dono faz as compras no Ceasa e a gente só vende”, conta Francisco que está no ofício há três meses, mas reforça que este ano não houve aumento dos preços dos produtos que comercializa.

Silvana de Sousa, de 54 anos, é uma das consumidoras de Francisco e diz que não abre mão de comprar as frutas dos pequenos produtores. “Apesar de ser muito bom, o aumento do preço é nítido em vários lugares”, observa.


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