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Pontos tradicionais não resistem e encerram atividades

ANGELO AUGUSTO | 28/05/2020 | 05:00

Decretada há mais de dois meses em Jundiaí, a quarentena que obrigou a grande maioria dos estabelecimentos comerciais a fecharem como forma de prevenção à pandemia do novo coronavírus tem gerado graves consequências na economia da cidade. Mesmo com alguns locais se reinventando para conseguir pagar as contas, outros não conseguiram se adaptar e anunciaram o encerramento permanente das atividades.

Nem alguns dos comércios mais tradicionais de todo o município se safaram, como a Sapataria Central.

Fundada há 110 anos, sendo 17 situada na rua Siqueira de Moraes, a sapataria anunciou que não funcionará mais a partir de sábado (30). Os proprietários emitiram o comunicado e pedem que os clientes busquem seus pertences lá deixados até o fim da tarde de amanhã (29).

Dona Wanda Cavalli, de 84 anos, proprietária do local há 42 anos, conta que a situação ficou insustentável a partir do decreto da quarentena. “Por estarmos em uma região central, nosso custo fixo é muito alto, entre aluguel, conta de luz e o salário dos cinco funcionários que tínhamos. Fizemos de tudo para não fechar, mas não houve alternativa. Também não pensamos em reabrir e estamos oferecendo nossos equipamentos a quem interessar”, diz.

Rosa Elisa Cavalli, filha de dona Wanda e que também administra a sapataria, falou sobre os bons momentos vividos nesses tantos anos funcionando. “Os clientes costumavam dizer que vinham aqui para consertar não só os sapatos, mas também o coração. Minha mãe sempre conversava muito com todos e os aconselhava. A sapataria é a vida dela”, lembra.

Outro anúncio que pegou a todos de surpresa foi o fechamento do Aldeia Bar, que funcionou sem interrupções desde 2010 e sempre foi muito querido pelo público que gosta de curtir boa música, em especial rock’roll. O proprietário Luiz Gonzaga Lima Neto, de 46 anos, disse que foi uma decisão difícil, mas necessária. “Quando existe essa imprevisibilidade fica bastante difícil manter o negócio aberto, negociar com fornecedores, imobiliária e afins pois não há uma data certa para a volta. Não sabemos como será depois da liberação, quer dizer se o público vai voltar a frequentar, se ainda haverá o medo de sair de casa”, ressalta.

Aberta há 25 anos, a Pizzaland, uma casa de massas localizada dentro Carrefour também encerra suas atividades de forma definitiva. A proprietária Cristina Barbieri Nicolau, de 51 anos, diz que a situação ficou insustentável com a determinação para fechamento da praça de alimentação do hipermercado. “Antes da pandemia não precisávamos fazer entregas, pois o movimento era muito bom. Com a quarentena tentamos adotar o sistema de delivery, mas não estava sendo suficiente nem para bancar o aluguel.”

O Koh Samui, único restaurante tailandês de Jundiaí também não suportou a quarentena. “O poder aquisitivo das pessoas foi caindo, passou-se a priorizar os gastos essenciais e o ramo de alimentação fora de casa passou a ser supérfluo. Andamos com essa crise por 5 anos e, neste ano de 2020, com a crise aumentada pela pandemia, decidimos encerrar as atividades”, escreveu o proprietário Tom Nando.


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