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Comitê anuncia força-tarefa para recuperação da economia

Kátia Appolinário | 29/03/2020 | 07:00

O Comitê de Enfrentamento do Coronavírus (Cec) anunciou na tarde deste sábado (28) a criação de uma equipe de força-tarefa voltada à recuperação da economia local. De acordo com o Prefeito Luiz Fernando Machado, a paralisação do comércio e das indústrias locais, bem como o isolamento social que já se estende por duas semanas, está previsto para perdurar até o dia 8 de abril, data em que se espera que a curva do vírus já tenha apresentado um achatamento.

A ação tem como principal objetivo minimizar os efeitos da parada dos setores produtivos municipais. “A manutenção do isolamento social é condição necessária para que a situação possa vir a se normalizar futuramente. Nos próximos 15 ou 30 dias o convívio social poderá voltar gradualmente, mas isso dependerá do comportamento da curva de contágio ao longo desta semana”, explica, valendo-se de que as ordens para a normalização do convívio social só deverão ser asseguradas após este primeiro momento, porém as ações da força-tarefa para a recuperação da economia já foram iniciadas.

Segundo explica o gestor da Unidade de Governo e Finanças (UGF), José Antônio Parimoschi, esse trabalho será feito em três etapas. A primeira será a mitigação dos principais efeitos da crise, seguida de ações de recuperação e, por fim, o fortalecimento da economia. A primeira etapa já está sendo realizada e uma das medidas implementadas foi a prorrogação do ISS cobrado dos optantes do simples nacional. “Mais de 30 mil empresas poderão deixar de pagar a taxa de alvará neste momento para pagá-la no segundo semestre, de outubro a dezembro”, explica Parimoschi.

A iniciativa faz parte das medidas de proteção aos micro e pequenos empresários, que faturam entre R$ 480 mil e R$ 4,8 milhões no ano. A segunda etapa da força-tarefa, a de recuperação, consiste no esforço para a preservação dos postos de trabalho desses estabelecimentos. “Contratamos o Sebrae e outras instituições para criar planos de recuperação da crise. Esta parceria já está sendo costurada, mas ainda há detalhes a serem definidos, como por exemplo o público-alvo específico, que a princípio tende a ser as micro e pequenas empresas, que tendem a se deteriorar muito mais rápido”, aponta o gestor.

Além da parceria com o Sebrae, a equipe pretende lançar um portal de empregabilidade, que não só disponibilizará vagas no mercado de trabalho, como também oferecerá cursos de especialização para que os munícipes possam desenvolver ainda mais suas competências profissionais.

Também é previsto o aumento nos recursos de microcrédito através do Banco do Povo. Contudo, ainda não se sabe exatamente de quanto será esse incremento. “Isso é voltado para as costureiras, donas de casa que possuem um pequeno negócio e pequenos empreendedores em geral. Não queremos que essas atividades parem. São pequenas, mas são muito significativas”, frisa Parimoschi.

Por fim, as ações de fortalecimento da economia contarão com o auxílio das medidas governamentais que, em nível nacional, aplicarão R$ 40 bilhões para linhas de crédito emergencial, valor que em parte também favorecerá o município de Jundiaí. A previsão é que a recuperação total da economia se dê até o final de 2023.

 

FORTALECIMENTO
Para o diretor do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Marcelo Cereser, esse fortalecimento poderá dar um novo fôlego ao setor industrial. “Um dos maiores problemas para as indústrias é a falta de capital de giro. As empresas que estão conseguindo desafogar a produção não estão conseguindo lucrar. Isso porque, diante dessa crise, muitas indústrias têm seus clientes pedindo prorrogação de duplicatas e até mesmo a suspensão de serviços. É preciso entrar dinheiro no caixa para que os recursos e funcionários possam ser pagos”, reitera Cereser.

O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Jundiaí e Região (Sincomercio) e da Câmara de Dirigentes Lojistas de Jundiaí (CDL, Edison Maltoni, um dos integrantes da força-tarefa, entende o momento pelo qual não só o município, como o país está passando e apoia as medidas locais aderidas. “Seguimos à disposição para o diálogo e a busca por ações que possam auxiliar todos segmentos envolvidos. Da nossa parte, como entidades representativas do comércio, oferecemos ajuda financeira para a administração municipal comprar produtos de primeira necessidade como máscaras, luvas, álcool gel e outros”, declara.

Luiz Fernando ressalta que a recuperação econômica é imprescindível, mas que neste momento a saúde da população virá a frente de quaisquer outras questões. “Não participaremos de nenhuma discussão política ou partidária. Nossas deliberações recebem instruções de pessoas capacitadas para decidir o que é melhor para a população e por isso não será permitida nenhuma ação no município que vá contra a proteção do povo”, diz.
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