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Complexo ferroviário em SP passa a ser patrimônio histórico; já são 5 neste ano

FOLHAPRESS | 18/11/2018 | 20:03

O complexo da estação ferroviária Caetetuba, em Atibaia, foi tombado pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo) e, a partir de agora, passa a seguir regras de ocupação e a ser reconhecido como patrimônio histórico. Ela se soma a outros tombamentos ferroviários definidos neste ano. Em março, o conselho já tinha aprovado o reconhecimento como patrimônio histórico da estação de Brodowski, terra de Candido Portinari (1903-1962). Também foram protegidas as estações ferroviárias de Bento Quirino (distrito de São Simão) e Águas da Prata e o palácio em Campinas que abrigou a sede da Companhia Mogiana de Estradas de Ferro entre 1910 e 1926.

Com o tombamento em Atibaia, a instalação de bancas de jornais e revistas, pontos de ônibus, postos policiais e abrigos para táxi, entre outros, ficam sujeitos à aprovação do Condephaat. O tombamento e suas regras foram publicadas na edição de sábado (10) do Diário Oficial. Na mesma edição, o estado sacramentou o tombamento de outros nove bens na capital e no interior. O conjunto da estação Caetetuba fez parte da extinta Estrada de Ferro Bragantina, inaugurada em 1884 e que foi responsável pela ligação da região à malha ferroviária de São Paulo.

Posteriormente, a Bragantina foi comprada pela São Paulo Railway Company, que ao fechar a negociação impediu que a Mogiana conseguisse acessar, a partir de Socorro, o litoral paulista para escoar sua carga de forma direta. Dessa forma, a SPR conseguiu manter seu monopólio de acesso ao porto de Santos no período. O tombamento foi definido, segundo o Condephaat, pelo fato de o complexo ferroviário apresentar elementos típicos das ferrovias, por ter valor simbólico e afetivo para a população da cidade e por ser um dos últimos remanescentes da Estrada de Ferro Bragantina.

EM ESTUDO
Em agosto, o órgão de preservação abriu processo que pode resultar no tombamento de dezenas de antigas locomotivas elétricas, de vagões e de outro complexo ferroviário no interior paulista. No total, 42 itens, a maioria locomotivas, passarão pelo estudo que pode resultar no tombamento. Com isso, até que os processos sejam concluídos ­o que não tem prazo para ocorrer­, os bens não podem ser descaracterizados.

Desse total, 17 locomotivas pertenciam à Estrada de Ferro Sorocabana e ao menos cinco dos itens devem ser destinados ao Movimento de Preservação Ferroviária do Trecho Sorocabana, que já desenvolve um trabalho de recuperação. Um exemplo foi o restauro em cinco meses de um vagão que estava praticamente sucateado no pátio de Bauru.

O Condephaat ainda abriu processo para analisar a guarda definitiva de 21 locomotivas da extinta Companhia Paulista de Estradas de Ferro e 4 locomotivas da Estrada de Ferro Santos-Jundiaí.  Também foi aprovado pelo conselho o estudo de tombamento do conjunto ferroviário de Varnhagen, em Iperó, que compreende estação e imóveis que compunham a vila dos ferroviários. Além de bens históricos já em estudos de tombamento, há outros que podem entrar na lista, como uma maria-fumaça de Ribeirão Preto, alvo de disputa entre entidades.

Foto: Rui Carlos

Foto: Rui Carlos


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