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#compredopequeno quer incentivar comerciantes de Jundiaí

Nathália Sousa | 05/04/2020 | 11:30

Em Jundiaí, os pequenos e médios empresários do ramo alimentício, impedidos de abrir suas portas por conta do contágio da pandemia de coronavírus, estão sofrendo os impactos de não receberem clientes para consumo nos estabelecimentos. Diversas campanhas foram divulgadas nas redes sociais na intenção de ajudar esses estabelecimentos a sobreviverem à crise da covid-19, uma delas, a #compredopequeno, criada em 2015, agora ganha força e apoio de diversas pessoas e empresas.

Independentemente das campanhas, muita gente tem dado seu ‘jeitinho’ para continuar oferecendo seus produtos e, claro, não fechar as portas de vez. Investem no sistema delivery como forma de atrair a clientela. O proprietário de uma pizzaria, Mateus Miranda de Souza, conta que pela primeira vez, em 32 anos de história, vê uma queda tão grande de movimento em seu comércio e, por isso, diante da impossibilidade de atender os clientes que consumiam no local, o delivery continuou operando, mas representa apenas 10% do faturamento da casa.

“As pessoas que costumavam comprar pelo delivery ainda pedem, mas aqui é uma casa tradicional e o pessoal gostava de vir”, desabafa Silva.

Ele conta ainda que seus funcionários estão em férias coletivas. E, mesmo sendo tradicional na cidade, ele revela muita dificuldade nessa crise e diz não que não sobreviveria se sua pizzaria fosse uma empresa recente e não tivesse a clientela fiel.

“Tínhamos 10 pizzaiolos e hoje são dois, com certeza a retomada será difícil e não seremos os mesmos”, lamenta.
E se para uma pizzaria de 32 anos o baque está sendo grande, não é diferente, claro, com um comércio de um ano e quatro meses. Lucas Machado é o proprietário de um restaurante mexicano, novo ainda, mas que de cara já está enfrentando essa crise. Mesmo com uma história recente, Lucas conta que há uma base sólida porque já fez uma clientela importante.

“O movimento caiu 60% porque o atendimento está restrito ao delivery. Como proprietário, duas coisas me satisfazem: agradar meus clientes e poder empregar pessoa, mas se essa situação continuar por muito tempo, os funcionários, que estão de férias, terão que ser demitidos.”

O cenário está difícil para restaurantes, independente de serem antigos ou novos, ou se atendem as pessoas no local ou no sistema de entregas. A proprietária de uma cafeteria, Simara Lindolfo, diz que o público principal do negócio comprava justamente por delivery. No entanto, essas pessoas faziam pedidos do trabalho. Como muitas pessoas estão em casa no isolamento, Simara viu o movimento despencar.

A cafeteria já tem mais de três anos, mas a clientela não continuou. Até uma minoria que pedia de casa debandou. “O meu ramo não é essencial e as pessoas não estão pedindo muito em casa, preferem o que é mais necessário e eu vendo café, açaí, essas coisas”, fala Simara.

Ela conta que chegou a fazer uma ação de descontos no aplicativo de entregas que usa, mas não estava compensando. “Estamos adotando estratégias, mas dependendo do tempo que isso durar, a gente não sabe o que fazer”.

E ao contrário de Simara, Elisa Vieira, proprietária de um restaurante de comida brasileira, conta que grande parte do público de seu comércio, existente desde 2007, é composta por pessoas que iam até lá para consumir ou pelo menos era, já que desde a implantação do isolamento, o consumo no local, que representava cerca de 80% do faturamento, não existe mais.
Ao contrário dos demais comerciantes, porém, Elisa conta que as vendas no delivery próprio permaneceram iguais, mas que os pedidos realizados através de aplicativos aumentaram. “Nós estamos dando férias para funcionários que precisavam. Não pretendemos mandar embora, vamos fazer o possível para que isso não ocorra”, espera.

COMPRE DO PEQUENO

O texto compartilhado por pessoas e estabelecimentos comerciais da #compredopequeno começa assim: “Pequenos negócios correm muito risco com a covid-19”.

Em seguida, explica que um mês pode ser muito tempo para que um comércio pequeno permaneça fechado. “McDonald’s vai sobreviver. Carrefour vai sobreviver. Starbucks vai sobreviver. Ajude aquelas empresas que realmente precisam para continuar existindo”. O texto ainda reforça a recomendação de permanecer em isolamento, mas sugere que os consumidores comprem de pequenos empreendedores.

Criado pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), o Compre do Pequeno Negócio surgiu como uma proposta de economia sustentável e forte.

Hoje a informalidade está maior no país e a quantidade de Microempreendedores Individuais (MEIs) ativos, somente em Jundiaí, na última semana, supera os 24 mil.


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