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Conforto e praticidade: coletor menstrual resgata a essência feminina

KÁTIA APPOLINÁRIO, ESPECIAL PARA O JORNAL DE JUNDIAÍ - ksantos@jj.com.br | 17/03/2018 | 20:47

Em busca de conforto e praticidade, muitas mulheres têm substituído o absorvente descartável pelo uso do coletor menstrual. O dispositivo criado em 1930, mas que só se popularizou nos últimos anos, consiste em um “copinho” de silicone que se encaixa no colo do útero e coleta a menstruação. Além de ser economicamente viável, o coletor não traz prejuízos ambientais e é até mais higiênico do que os demais tipos de absorventes. Para o ginecologista do Hospital Universitário de Jundiaí (HU), Dr. João Bosco Ramos Borges, de 61 anos, o uso do coletor menstrual não se resume em abrir mão do absorvente, mas representa uma mudança de valores comportamentais. “Existe um perfil de mulher moderna que se preocupa com a alimentação, com o bem-estar e com o meio ambiente. É uma mulher que não quer poluir a natureza, ou mudar sua libido por conta de métodos contraceptivos. É como se houvesse um resgate pelo natural”, explica o doutor.

TROCA DO ABSORVENTE POR COLETOR MENSTRUAL GABRIELA DANDARA MARILIZ MAZZONI

É o caso da massoterapeuta Gabriele Dandara, de 26 anos, que aderiu ao coletor não só para conectar-se à sua essência feminina, mas também pelo zelo ambiental. “O chamado ecológico fazia com que eu me sentisse culpada por produzir tanto lixo em um planeta que está sucumbindo com tantos aterros lotados de materiais que vão demorar décadas para se degradar”, explica a jovem, levando em consideração que um absorvente convencional leva de 50 a 100 anos para se decompor no meio ambiente.

Já para a doula Mariliz Mazzoni Bento, de 27 anos, o “copinho” lhe foi apresentado em uma roda de conversa do Sagrado Feminino, grupo que busca o empoderamento e a saúde da mulher. Para ela, a escolha foi uma solução para acabar com o odor que o absorvente tradicional exalava. “Alguns estudos apontam que o mau cheiro da menstruação acontece devido ao uso dos absorventes feito à base de petróleo (plástico). Isso, em contato com nossa pele e nossa umidade, faz com que um mau cheiro seja produzido. Ao fazer a transição para o coletor, percebi que esse cheiro desapareceu gradualmente e hoje já não existe mais”, afirma a jovem, que aderiu ao dispositivo há cinco anos e hoje exalta: “Nunca mais passei pela prateleira de absorventes nos supermercados”.

A professora de educação física Tamara Cristina Marin, de 22 anos, aderiu ao coletor apenas há dois ciclos menstruais e só vê aspectos positivos. “Ele não esquenta, não irrita, não machuca e o ciclo vem de forma mais natural”. Além das vantagens, o coletor não apresenta contraindicações, mas segundo Dr. João Bosco, exige alguns cuidados, como por exemplo higienizar regularmente o produto e ter cautela na hora da retirada, principalmente se a mulher foi adepta ao uso do DIU. “O coletor cria um vácuo negativo, e se retirado de forma errada pode acabar deslocando o DIU de cobre para baixo”, alerta o ginecologista. Para todas essas mulheres, além do resgate pelo natural, o coletor significou um passo a mais rumo ao empoderamento: é um verdadeiro reencontro com a essência feminina. “Agora toco meu sangue. Isso fez com que eu pudesse ter uma conexão muito maior com meu útero”, alega Gabriela Dandara, valendo-se de que esse processo faz parte de uma desconstrução e ressignificação do que costuma ser socialmente rotulado como “nojento”.


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