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Consórcio Intermunicipal do Aterro Sanitário de Várzea Paulista quer ampliar serviços

CARLOS SANTIAGO | 21/10/2018 | 06:00

Há algo novo no ar do Ivoturucaia, em Jundiaí – bem lá no alto, próximo do limite de municípios com Várzea Paulista (no Jardim América). No endereço que, por muitos anos, vivia causando (literalmente) dor de cabeça para os moradores do entorno e para as autoridades, agora a sensação é de que o trabalho foi bem executado e que são precisos novos desafios, com a implantação de um Plano Regional para Resíduos Sólidos e alternativas de serviços.

A placa instalada no número 4.500 da avenida Dr. Walter Gossner mostra que ali fica a sede do Consórcio Intermunicipal do Aterro Sanitário (Cias). Por lá circulam apenas os técnicos e funcionários responsáveis pela manutenção da área de 128 mil metros quadrados – algo em torno de 18 campos de futebol.

Uma geração inteira nasceu e vai ao local (hoje, o Parque das Orquídeas, administrado pela Prefeitura de Várzea Paulista) para brincar ou se distrair sem sequer desconfiar que está sobre uma gigantesca – e mantida desligada – bomba-relógio ambiental. Afinal, desde 2006, quando as atividades do Aterro Sanitário foram encerradas, os barulhos de caminhões circulando, o lixo sendo trazido e compactado, o cheiro que ia longe, levando junto consigo gases nocivos à saúde – tudo isso foi substituído pela paz da vegetação plantada no local ou pelos gritos da molecada que, numa tarde de quinta-feira, disputa uma ‘pelada’ num campinho de areia.

Os aspirantes a craque vão atrás da bola enquanto a Mãe-Natureza trabalha lentamente. Ao longo de duas décadas, o Aterro varzino recebeu 2,5 milhões de toneladas de resíduos dos municípios de Jundiaí, Várzea Paulista, Cajamar, Campo Limpo Paulista, Louveira e Vinhedo.

Encerrado o aterro, ficou o passivo ambiental e a necessidade de monitoramento permanente de diversos aspectos. Ministério Público Estadual e Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) recebem relatórios trimestrais. A medição de gás é diária. Os técnicos também acompanham a movimentação do maciço e seguem monitorando os níveis da água (superficial e subterrânea) e da pressão exercida sobre o local.

Algumas das aferições são realizadas não só na área do aterro mantida pela Cias – como também em 12 casas ali da região, escolhidas aleatoriamente há anos para que fosse feito o acompanhamento também com a comunidade. Com a situação sendo controlada, o prefeito Juvenal Rossi, de Várzea Paulista, atual presidente do Consórcio, opinou, em uma das últimas reuniões com os demais representantes do Cias, sobre a necessidade de aproveitar a estrutura já existente para propor a prestação de novos serviços.

O gestor de Infraestrutura Urbana de Várzea Paulista, Renato Germano, que também participa das reuniões do Cias, lembra que algumas ideias já surgiram. Entre as novas finalidades ventiladas estão, por exemplo, uma usina de asfalto. “Mas os temas deverão ser estudados e definidos pelos municípios, através da formação de uma comissão técnica”, informa Germano.

O gestor de Governo e Finanças de Jundiaí, José Antonio Parimoschi, explica que o atual estatuto do consórcio possibilita estudos entre os municípios, na implantação de um Plano Regional para Resíduos Sólidos. Em reunião do Cias, Parimoschi falou do interesse do Instituto Movimento Cidades Inteligentes (IMCI) – que poderia fazer o diagnóstico necessário para a implantação de outros serviços.

Uma comissão jurídica já foi formada, como informa Renato Germano, e uma reunião foi realizada em 19 de setembro, quando começou o trabalho de exame dos termos que deverão orientar o convênio entre Cias e o Cidades Inteligentes. O IMCI, questionado, informa que não é possível, sem o estudo e diagnóstico, definir algum projeto. Mesmo assim, em nota, o Cidades Inteligentes dá uma pista de um novo uso: o ‘landfill mining’ (conceito que envolve a mineração de aterros) “pode ser um dos caminhos”. Na mesma nota, a empresa informa que a adoção deste método traz redução de custo às prefeituras envolvidas.

Hoje, os custos da manutenção do aterro são rateados proporcionalmente, com base no histórico de uso de cada município na deposição de resíduos: Cajamar (6,68%), Campo Limpo Paulista (8,29%), Jundiaí (60,12%), Louveira (4,43%), Várzea Paulista (11,16%) e Vinhedo (9,32%).

Foto: Rui Carlos

Foto: Rui Carlos


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