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Consumo de álcool cresce durante o isolamento social

Kátia Appolinário | 03/06/2020 | 06:00

Um levantamento da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas (Abead) mostra que o isolamento social tem impulsionado o consumo de álcool entre a população. Neste período, as vendas em distribuidoras tiveram crescimento de 38% durante a pandemia. Nas lojas de conveniência, por sua vez, o aumento chega a 27% em nível nacional.

Em Jundiaí, a opinião se divide entre os gerentes e proprietários de estabelecimentos comerciais. Isso porque, ainda que o consumidor final esteja bebendo mais, o fechamento de bares e restaurantes, bem como o adiamento de eventos, resultou na queda nas vendas para alguns.

Aos 59 anos, o proprietário de uma loja de conveniência, Wellington Tartari, alega que mesmo com as pessoas bebendo mais em casa, o prejuízo ainda é predominante. “Minha clientela não se acostumou ao delivery então só tenho atendido o público do bairro que já é fiel ao meu estabelecimento. A queda no meu faturamento foi de 60%”, reitera Tartari que tem o estabelecimento há 12 anos no Vianelo.

O delivery tem ajudado nas vendas da choperia de José Tadeu Dalceno, de 63 anos, porém ele reforça que a presença do público é sempre mais lucrativa. “Ainda que o delivery tenha sido uma opção para que as vendas não fiquem estagnadas, o que nos dava lucro mesmo eram os atendimentos no bar. Meu prejuízo já chega a 70% e acredito que isso só irá melhorar no próximo ano”, afirma.

A funcionária de uma adega, Jéssica de Lima Santos, de 28 anos, agradece as vendas. “Só nos meses de isolamento tivemos um aumento de em média 50% nas vendas. O que nos surpreendeu foi o grande número de pedidos durante a semana uma vez que nossos pedidos eram mais comuns aos sábados e domingos”, ressalta a funcionária alegando que as cervejas continuam sendo a principal preferência da população.

Procurada, a Associação Paulista dos Supermercados (Apas) alega não ter dados sobre a venda de bebidas alcoólicas.

O VÍCIO

A psicóloga Vanilde Costa Evaristo explica que para muitas pessoas a bebida tem sido uma fuga. “Por ser uma substância com efeito depressor do sistema nervoso central, em quantidades menores o álcool irá causar um efeito de “entorpecimento” fazendo com que os sentimentos desagradáveis se amenizem. Por isso, durante esse período, é comum as pessoas aumentarem o seu consumo”, destaca.

Ainda que não haja problema no consumo regulado de álcool, seu excesso pode se configurar como vício e até desencadear doenças. De acordo com uma pesquisa realizada pelo Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (Cisa), o consumo nocivo de álcool pode gerar uma série de malefícios, inclusive causar mais de 200 tipos de doenças, como cirrose hepática, dependência e até mesmo alguns tipos de câncer.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que não seja ingerida quantidade superior a 30 gramas por dia, o que equivale a aproximadamente três copos de chope.

 


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