Jundiaí

Contra a depressão, população idosa recorre a atividades

O número de pessoas com 65 anos ou mais cresceu 26% entre os anos de 2012 e 2018 e vai dobrar até 2042. O aumento da expectativa de vida, embora seja um fator positivo para o dia a dia, contrasta com um problema de saúde pública cada dia mais observado pelos profissionais da área: a depressão nessa faixa etária. Diante deste cenário, praticar atividades cotidianas junto a profissionais qualificados são fatores que ajudam o paciente a se livrar dos sintomas de baixa autoestima e retomar o sentido da vida. Foi depois de perder a esposa, há cerca de um ano e três meses, que o aposentado Dionísio Galdino, de 80 anos, se viu perdido, sem chão. A mulher dele havia sido diagnosticada com Alzheimer havia 15 anos e nos últimos três ficou acamada, já sem sinais de recuperação. “Perdemos um filho em 1998, mas mesmo assim nossa união foi de muita força para sairmos juntos daquele episódio. Éramos muito unidos, casados há 56 anos. A gente nunca está preparado para enfrentar essa situação, por mais que saibamos o destino de quem sofre da doença”, diz. Com quadro de depressão, ele procurou o Centro de Educação e Lazer para a Melhor Idade (Celmi), entidade que oferece mais de 50 cursos e atividades diferentes para essa faixa etária da população, e hoje dá sinais claros de recuperação. Ele participa de uma roda de psicologia positiva e oficina da memória, e hoje mostra sinais claros de recuperação. “Quando chega sábado e domingo fico um pouco mais solitário, mas durante a semana eu socializo muito com o pessoal daqui”, complementa. São vários os mecanismos que desencadeiam quadros de depressão em pessoas com mais idade: saída dos filhos de casa, a falta do que fazer depois da aposentadoria e até a rejeição familiar. Não existe um fator exato que determine o quadro de negatividade. A gente procura justamente trabalhar a questão da autoestima. Eles sentem falta de estar com pessoas da mesma idade”, enfatiza a psicóloga e professora do Celmi, Elaine Matias. Atualmente ela tem dois grupos de 20 alunos que tratam temas diversos. “Eu aprendo com eles mais do que ensino”, confessa. Atualmente, a entidade recebe quase mil idosos em atividades diferentes. O receio em mudar de São Paulo para Jundiaí desencadeou uma ansiedade atípica na bancária aposentada Darci Durante, 77. Ela havia perdido o marido meses antes da mudança, em 2004. “Eu ficava com o temor de como as pessoas iriam me receber, e também de como ia me adaptar com o ritmo diferente de cidades”, diz. A saída para o desconforto foi também a interação com pessoas de idades semelhantes, através de cursos de línguas. “Não houve um fator específico para a mudança de postura emocional, mas se eu ficasse impregnada em casa certamente não estaria aqui. Hoje eu não sinto solidão por morar sozinha”, finaliza.  

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