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Controlar vício é desafio durante o isolamento

KÁTIA APPOLINÁRIO | 14/06/2020 | 05:00

Controlar o vício e a ansiedade durante o período de isolamento social pode ser um desafio redobrado que muitos não conseguem sustentar. Uma pesquisa realizada pela Fundação Oswaldo Cruz, em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais e a Universidade Estadual de Campinas, mostra que 34,3% dos entrevistados aumentaram o consumo de cigarros durante este período. Dentre esses, 22,8% passaram a fumar em média dez cigarros a mais por dia, já 5,1% tiveram aumento de 20 cigarros ou mais diariamente.

Mesmo com a vontade de fumar catalisada pelo isolamento, a vendedora Aline Morais da Costa, de 37 anos, conseguiu nadar contra a maré e superou o vício durante a pandemia. “Eu fumava em média um maço por dia e controlar isso se tornou ainda mais difícil quando eu perdi o meu emprego em meio a essa crise. No entanto, em uma tarde eu acordei me sentindo mal, com falta de ar e muito nervosa. Foi quando eu decidi tomar uma atitude e parar de fumar’, compartilha, ressaltando que neste domingo (14), ela completa um mês longe dos cigarros.

A luta que Aline começou há um mês é semelhante a que a dona de casa Rosimeire Aparecida Toffoli, de 50 anos, iniciou há 11 meses. “Fumar para mim era uma espécie de ritual. Eu tinha meu cantinho, minha cadeira só para sentar e fumar, meu cinzeiro ali do lado, mas aos poucos tentei me desfazer desse hábito, fui tirando os objetos de lá, fazendo acompanhamento, tomando os meus remédios e deu certo. No próximo mês eu completo um ano sem cigarro e não poderia me sentir melhor”, conta alegando que neste intervalo deixou de fumar 9.943 cigarros, o que equivale a uma economia de aproximadamente R$ 1.388.

Aline e Rosimeire foram amparadas pelo Programa de Assistência ao Tabagista (Pait), uma ação municipal desenvolvida para dar assistência àqueles que pretendem parar de fumar.

O cardiologista Carlos Henrique Costa é coordenador da iniciativa e explica que lidar com a abstinência pode ser ainda mais difícil durante a crise. “A ansiedade desencadeada durante o isolamento pode fazer com que o indivíduo fume ainda mais. Além disso, para aqueles que estão tentando deixar o cigarro de lado, os sintomas de abstinência podem surgir ainda mais intensamente”, ressalta citando os principais sinais como a fissura, a irritabilidade, a dificuldade de concentração e dores de cabeça frequentes.

Segundo a Unidade de Gestão de Promoção de Saúde (UGPS), o Pait tem trabalhado mais do que nunca e, para que os assistidos pudessem dar continuidade aos seus tratamentos, as reuniões foram adaptadas. “Passamos a realizar nossos encontros de apoio em formato de lives, às segundas-feiras. Além disso, também disponibiliza conteúdos de apoio em meu canal no YouTube para auxiliar os internautas que querem parar de fumar”, compartilha, valendo-se de que as visualizações dispararam desde o final de março.

UM COPO A MENOS
Assim como o cigarro, o consumo excessivo de álcool também pode ser intensificado durante a pandemia e se tornar um grande problema. Entre março e abril, o Alcoólicos Anônimos (AA) registrou um aumento de 8% nos atendimentos. Para auxiliar o público, são realizadas reuniões on-line diariamente às 20h.

Além do AA, o Centro de Apoio Psicossocial (Caps Ad. III) também auxilia os munícipes que enfrentam problemas com álcool e outras drogas. Entre os meses de maio e abril, foram registrados 44 novos atendimentos. No entanto, o órgão não sabe dizer se esse aumento se deve necessariamente ao período de isolamento.

De acordo com a psicóloga e hipnoterapeuta Wanessa Ugliara, de 39 anos, render-se ao vício é um movimento natural em condições extremas. “O ser é social e precisa de vínculos. A falta disso pode levar a vícios, como é o caso não só do cigarro, mas também do alcoolismo, de jogos e outras distrações que possam auxiliar no processo de suportar a própria vida, uma vez que os vícios estão intrinsecamente ligados à busca pelo prazer”, explica.

Para manter o controle, a especialista diz que uma boa solução é manter a mente ocupada. “É possível ter prazer de outras formas, como através da leitura, da prática de exercícios físicos, de conversas com amigos e familiares. Essas práticas podem auxiliar. Outra boa dica é manter os objetos do vício fora do campo de visão. Não deixe o maço de cigarro ou mesmo o álcool à vista, se esforce para tornar o certo fácil e o errado difícil”, aponta.

 

 

SERVIÇOS
PAIT: https://bit.ly/3hf3fAm
AA: (11) 9832-2929
Psicóloga Wanessa Ugliara: www.wanessaugliara.com.br


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