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Corote vira febre entre os jovens; destilados são preferência e eles têm bebido cada vez mais

kátia appolinário | 04/06/2018 | 05:15

Da tradicional cerveja ao econômico corote, cada vez mais os jovens têm bebido. Isso é o que mostra uma pesquisa realizada pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), que revela que 80% dos jovens já ingeriram álcool pelo menos uma vez ao longo da vida. O estudante Ciro Vicente Merluzzi, de 19 anos, teve sua primeira experiência alcoólica aos 13 anos e, ao relembrar, define a experiência como “interessante”.

T_corotecoroteSegundo a psicóloga Luciana Pelinser, de 47 anos, ingerir álcool durante a adolescência pode interferir no funcionamento cerebral, que nesta fase passa por uma espécie de reorganização. “Durante a adolescência, alguns receptores de substâncias químicas são fechados e adicionar o álcool a esta situação faz com que a atividade cerebral seja comprometida”, alerta, valendo-se de que uma das consequências diretas pode ser a dependência alcoólica na vida adulta.

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O universitário Rafael Cerdeira Costa, de 22 anos, assim como Ciro, experimentou álcool quando era bem jovem, aos 15 anos. Após experimentar cerveja, passou a ingerir destilados. “No começo eu bebia muita vodca. Era menor de idade e não tinha muito dinheiro, então eu juntava minhas moedas com as moedinhas dos meus amigos e comprávamos o que o dinheiro dava. O importante era ‘chapar’”, brinca. Mas independente da bebida ingerida ou de seu teor alcoólico, é preciso saber os próprios limites. Ingerir álcool em excesso, além de afetar os reflexos e a capacidade de raciocínio, desenvolve doenças. “Como o álcool age nas substâncias cerebrais, muitas doenças podem se desencadear, como por exemplo a depressão”, alerta a psicóloga. Para que a descoberta das bebidas alcoólicas aconteça de forma saudável, Luciana orienta que o exemplo parta de casa. “A família deve conversar abertamente com os filhos, entender o motivo de sua curiosidade e permitir que a degustação seja na hora certa”, explica.

INSTRUÍDA PELOS PAIS
A estudante Sara Pereira de Barros não começou a beber tão cedo como os jovens Ciro e Rafael e sempre foi bem instruída pelos pais. Hoje, aos 21 anos, ela não nega seu apreço pelo corote, mas reconhece a importância de saber beber com responsabilidade. “Meus pais nunca me proibiram de nada e acredito que isso foi um grande fator para que eu começasse a beber no ‘meu tempo’. Isso me ajudou também a ter consciência quanto ao consumo”, emenda a estudante.


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