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Corticoide só com orientação médica

Nádia Antunes | 19/06/2020 | 06:02

A notícia de que o corticoide dexametasona é capaz de reduzir as mortes por covid-19 em casos graves da doença, dados revelados pela Universidade de Oxford, ocasionou uma corrida perigosa às farmácias. Por se tratar de um medicamento que não necessita de receita médica, as pessoas começaram a se automedicar na esperança de se proteger do vírus.

Mas especialistas fazem um alerta quanto o uso de remédios sem orientação médica. O medicamento, por exemplo, não deve ser usado em pacientes leves ou como forma de prevenção ao covid-19.

O professor de farmacologia da Faculdade de Medicina de Jundiaí (FMJ), Jorge Camilo Florio, de 63 anos, explica que os corticoides devem ser utilizados da forma correta e sempre com orientação de um profissional.

“Os corticoides ajustam o funcionamento do nosso organismo, como é o caso da dexametasona, que ajuda a reduzir o estresse, seja ele emocional ou físico, no combate a infecções, mas a automedicação pode desencadear complicações em pessoas que possuam comorbidades ou até mesmo camuflar algumas doenças”, alerta o especialista.

Segundo Florio, o glicocorticoide, por exemplo, aumenta a retenção de sódio e pode piorar a hipertensão.

“Ele pode ainda descompensar a diabetes já que aumenta glicose no sangue, além de prejudicar o sono se tomado a noite. Os efeitos colaterais podem variar de acordo com a composição do medicamento, por isso a automedicação não é uma opção. É sempre necessário auxílio médico”, reforça Florio.

SEM CONHECIMENTO
O uso indevido de certos medicamentos potencializa a ação de vírus e bactérias no nosso organismo. O farmacologista diz que se uma pessoa tem uma dor de garganta e toma o corticoide por conta, ela pode até amenizar o incômodo da dor, mas a bactéria continua agindo e e isso pode estimular o seu fortalecimento no organismo e agravar a situação.

“Às vezes é necessário um antibiótico para agir na eliminação dessa bactéria e não de um corticoide”, ressalta Florio.

Segundo reforça, o medicamento não evita a contaminação pelo vírus. “Cabe ao profissional da saúde verificar se o uso do medicamento se faz viável. O corticoide diminui a resposta do organismo, uma vez que ele mexe com a imunidade do corpo. Nesse caso, ele pode diminuir a liberação de citosina, substância que trabalha em nosso organismo quando ele está sendo ‘atacado’ por uma infecção. O uso indevido da medicação impede que o organismo responda e reaja ao vírus como deveria. É indicado sempre procurar a orientação médica para fazer o uso de qualquer medicamento”, esclarece o farmacologista.


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