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Covid mata 12 vezes mais que o trânsito de Jundiaí em maio

Márcia Mazzei | 27/06/2020 | 05:00

O total de mortos pelo novo coronavírus durante o mês de maio em Jundiaí já supera em 12 vezes os óbitos em decorrência de acidentes de trânsito, uma das principais causas de mortalidade no país. Até agora são 167 óbitos da doença, sendo 75 só no mês de maio, segundo o informe epidemiológico do Comitê de Enfrentamento ao Coronavírus (CEC).

Neste mesmo período, dados estatísticos da Secretaria de Segurança Pública do Estado (SSP) de São Paulo revelam que Jundiaí registrou seis ocorrências de homicídio culposo (quando o crime é cometido sem intenção) por acidentes de trânsito. Em maio, só houve um latrocínio (roubo seguido de morte) e nenhum homicídio.

Ao projetar a curva de evolução da doença, o infectologista e professor emérito da Faculdade de Medicina de Jundiaí (FMJ), Roberto Focaccia, é tomado pelo pessimismo e acredita estarmos inseridos em um caos sanitário, sem controle causado pelo negacionismo do governo. “Neste momento é tudo absolutamente imprevisível. Nem atingimos o pico da epidemia e com nível de transmissão se elevando, já estamos relaxando o isolamento social. No estado de São Paulo, a epidemia se expande rapidamente para todo interior com estimativas de piora devido à abertura de quarentena. Diria que é uma política darwiniana, em que os mais aptos fisicamente sobrevirão”.

Para Focaccia o grande erro do Brasil foi deixar, desde o começo da pandemia, de seguir a Organização Mundial de Saúde (OMS), ao contrário do que fez os países europeus e asiáticos que conseguiram superar a pandemia.

Sobre o fechamento do comércio, o infectologista é enfático. “Quando se fecha tudo, dificilmente se consegue colocar a população dentro de casa. No caso de Jundiaí, onde temos um prefeito com muita liderança, talvez isso seja mais viável, mas tudo é incerto.”

Focaccia contesta o plano de contingenciamento do governo de São Paulo e aponta que o principal parâmetro é a redução do nível de contágio. “A China só flexibilizou com 0,3 de contágio de uma pessoa a outras. A Alemanha com 0,7. O Brasil está acima de 1,5. Um escândalo”, lamenta.

Em Jundiaí, a rede pública de saúde está com uma taxa de ocupação de 72% dos leitos de UTI exclusivos para pacientes com covid-19. Na rede privada, por sua vez, a ocupação geral já chega a 78%.

NO TRÂNSITO

Com 40.721 vítimas em 2019, segundo relatório anual de uma administradora do seguro DPVAT, as mortes no trânsito são a décima principal causa de mortalidade do Brasil. O ranking é encabeçado pelas vítimas de problemas de saúde como câncer (223.757) e doenças do coração (175.950) e cerebrovasculares (99.904), segundo o Datasus de 2018, plataforma de dados sobre mortalidade do Ministério da Saúde.

Embora seja uma pandemia, com registro de mais de 480 mil mortes no mundo e ainda em fase de expansão no Brasil, onde já matou 54.971 pessoas até esta sexta-feira, o coronavírus tem uma letalidade menor do que a do Influenza, vírus responsável pela gripe comum e pela pneumonia, que matou 80.496 pessoas em 2018, o que dá pouco mais de 220 mortes por dia – na projeção de autoridades de saúde, no entanto, essa média será superada em breve pela covid-19.

 


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