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Cresce número de ISTs em idosos

COLABORAÇÃO DE MARIANA CHECONI | 28/04/2019 | 05:00

Infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) ainda geram polêmica, mas são temas que precisam ser discutidos. Se engana quem acha que somente os jovens contraem essas infecções. Segundo dados do Ministério da Saúde, cada vez mais os idosos estão sendo infectados com doenças como HIV, sífilis e Hepatites B e C. Cerca de 4% a 5% da população acima dos 65 é portador do vírus HIV, considerado o mais grave e de difícil diagnóstico dentre as doenças.

Apesar das estatísticas preocupantes, Jundiaí apresenta bons números. De acordo com a Unidade de Promoção da Saúde (UGPS), por meio do Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA), nenhum caso de HIV foi registrado em pessoas acima de 60 anos no período de 2016 a 2018. Quanto à aids, somente um caso foi registrado em 2017. Sífilis teve um registro de oito casos no mesmo período (2016 a 2018) e as Hepatites B e C não foram contabilizadas.

O CTA assim como as UBSs ofertam exames de diagnóstico para as doenças. Em caso de diagnóstico positivo, o tratamento medicamentoso e de acompanhamento é ofertado gratuitamente.

Geriatra da Faculdade de Medicina de Jundiaí, José Martinelli explica que esse aumento ocorre por dois principais motivos: falta de prevenção e demora na procura de profissionais quando os primeiros sintomas se manifestam. “As pessoas não associam, mas o uso do viagra aumenta a incidência das ISTs. Ele deixa o idoso mais ativo e juntando isso à resistência que eles apresentam no uso da camisinha faz com que o número de infecções aumente. Essa resistência ocorre porque eles querem a todo momento lembrar da juventude, quando a camisinha não era utilizada e as ISTs não eram muito conhecidas. Esses fatores levam a falta de prevenção correta”, afirma.

Além disso, Martinelli afirma que os sintomas podem ser confundidos com doenças comuns na velhice. “O HIV demora para se manifestar e quando aparece, pode ser confundido com doenças que geralmente os idosos apresentam com maior incidência. No caso da sífilis e das hepatites, desaparecem com facilidade então eles não procuram ajuda. O problema é que elas voltam a aparecer se não forem tratadas corretamente. Outro ponto é a vergonha. Dificilmente os idosos procuram um médico quando têm relações sexuais sem camisinha e algum sintoma aparece. Eles sentem vergonha da família e até mesmo do médico descobrirem sobre a vida sexual ativa”, revela.

Prevenção
O aposentado Antônio Santos, 72 anos, não se vergonha ao dizer que possui uma vida sexual ativa até hoje. Casado há 41 anos, conta que nem sempre se preveniu, uma vez que na sua juventude não tinha muita informação sobre o assunto. “Naquela época era tudo muito mais difícil. Tínhamos que descobrir tudo sozinhos. Família e escola não ensinavam sobre isso para as pessoas. Hoje eu agradeço por nunca ter sido infectado com nenhuma dessas doenças e me previno para evitar que algo aconteça”, afirma.

Não é segredo para ninguém que os idosos estão cada vez mais ativos e independentes e o sexo é uma parte muito importante para a saúde e bem-estar das pessoas. Por esse motivo, é fundamental que, independente da idade, seja feito com prevenção e responsabilidade. “Infelizmente não há outro modo de prevenir as doenças que não seja a camisinha. Ela é muito importante em qualquer fase da vida, inclusive na terceira idade, que está cada vez mais ativa”, ressalta Martinelli.

DST NA TERCEIRA IDADE  IDOSO CAMISINHA


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