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De café a tatuagem, desejos das pessoas pós-quarentena

Mariana Checoni | 03/05/2020 | 05:03

O período de isolamento social despertou nas pessoas muitas emoções confusas, mas com sentimentos comuns para quando voltar a normalidade. Algumas pessoas ficam estressadas com o fato de ter que ficar em casa, outras veem no momento uma oportunidade para aprender um novo hobby, como cozinhar ou realizar trabalhos manuais de artesanato ou costura.

Entre esses sentimentos, vemos que muita gente compartilha algo referente à valorização dos pequenos momentos e coisas simples, como a rotina do dia a dia. Poder ser o ir e vir do trabalho à escola, visitar os amigos, abraçar e beijar as pessoas que amamos, tomar um simples café, sorvete ou cerveja acompanhado de amigos e familiares ou simplesmente poder circular pelas ruas sem medo de contrair o coronavírus.

Além disso, muita gente está com desejos diferentes, nunca antes pensado, como fazer uma tatuagem, pular de paraquedas, viajar para um país exótico, trocar de casa ou até mesmo mudar radicalmente o visual. De repente, o instante presente ganhou mais importância.

O período de isolamento social fez com que as pessoas tivessem que se adaptar. Rotinas, costumes, hábitos e desejos. Entretanto, o sonho é inerente ao ser humano e é preciso expandir a consciência.

O JJ foi descobrir quais são os desejos inconfessos de seis personagens de nossa cultura, o diretor do Polytheama Wagner Nacarato, a atriz da Cia. de Teatro de Jundiaí Camila Brandão, o bailarino Jessé Anselmo, a cantora Renata Iacovino, o dramaturgo Sérgio Roveri e o violinista da Orquestra Municipal de Jundiaí Marcos Scheffel. Porque para o sonhar não há limite.

TRABALHO
Wagner quer Polytheama

Como diretor do Polytheama, maior referência da cultura local, Wagner Nacarato conta que sua maior vontade é voltar ao trabalho. “Todo o meu trabalho é presencial. Como diretor de um teatro, tenho muitos alunos e responsabilidades. Estamos trabalhando on-line, mas é muito difícil dar aula de teatro a distância, afinal, é uma atividade de interação social”, afirma.

“Sinto falta do Polytheama em geral. O olho no olho com os artistas e funcionários, andar por todo o prédio, ver o que cada um está precisando. Também não vejo a hora de poder viajar. É algo que eu adoro e faço todo ano, geralmente em janeiro. Mas fica para o futuro. No momento, quero ver as pessoas”, completa.

TEATRO
Camila sente falta do olhar

Para a atriz da Cia. de Teatro, Camila Coelho Brandão, diante do extraordinário e de grandes ideias que as pessoas podem ter neste período, a maior vontade é normalizar a situação e voltar à rotina. “Não tenho um desejo muito grande. Quero muito ter aula presencialmente, acho muito estranho o modelo EAD, ainda mais de teatro. Contudo, das coisas comuns que nos divertem, a primeira coisa que quero fazer é ir ao cinema e ao teatro”, revela.

“Confesso que mais ao teatro, pois o cinema conseguimos substituir facilmente assistindo a filmes e séries em casa… O teatro não. A experiência de olhar uma pessoa na sua frente, interpretando a cena com toda a emoção, contando histórias e usando a arte como forma de expressão, não tem como substituir. É o que mais sinto falta nesse isolamento”, conta a atriz.

DANÇA
Jessé anseia por ensaios


O bailarino Jessé Anselmo conta que, para a área da dança, esse período é muito difícil, por conta do movimento e entrega que a profissão exige. “Estou ansioso para voltar à sala de ensaios ao fim da quarentena. Seja para retomar trabalhos antigos, iniciar novos projetos ou fazer aulas. Meus colegas e eu queremos muito retornar às atividades”, afirma.

“Especialmente para os profissionais da dança, que estão sempre em movimento e ocupando espaços na cidade e nos centros culturais, o fim deste período será um momento muito especial”, conta Jessé.

SAIR ÀS RUAS
Renata precisa de liberdade


A cantora Renata Iacovino reconhece a dificuldade de um período como este. Para amenizar, está realizando lives por sua página do Facebook, mas conta que sua maior vontade é voltar a tocar presencialmente. “O que eu mais quero quando acabar a quarentena é ter a sensação de liberdade novamente, pois como vivemos constantemente livres, não damos valor pra quando somos privados dela. Quero muito encontrar com amigos, brindar à vida, fazer um churrasco. E claro, voltar a fazer shows e ensaiar”, afirma.

Além disso, viajar também é um grande desejo. “Infelizmente tiver que cancelar uma viagem programada para Portugal. Iria no dia 30 de maio, mas agora, só quando tudo acabar”, relata.

APRECIAR
Sérgio tem saudade do café


Para o dramaturgo Sérgio Roveri, a quarentena está sendo um momento de descobertas, pois os melhores momentos podem ser os mais simples. “Esse isolamento me fez descobrir que um dos momentos mais felizes do meu dia era logo depois do almoço, quando eu saía de casa a pé pelas ruas do bairro em busca de um café expresso”, conta.

“Mais do que um café, era o momento que eu encontrava amigos e vizinhos. Sei que pode parecer um prazer pequeno, pois algumas pessoas estão planejando grandes viagens, mas, quanto a mim, a primeira coisa que farei, sem dúvida, é sair de casa para tomar um expresso com muita calma e saboreando cada gole”, revela.

Além dos prazeres do dia a dia, Sérgio sentiu uma vontade diferente. “Tive muita vontade de fazer uma tatuagem. Nunca fiz, e acho que vou me permitir agora. Ainda não sei o que tatuar, não pensei. Mas acredito que será algo ligado ao sol e à natureza”, afirma.

EMOÇÃO
Marcos deseja público ao vivo


O violinista, chefe dos segundos violinos da Orquestra Municipal de Jundiaí, Marcos Scheffel, detém do mesmo desejo da maioria dos artistas, voltar a se apresentar presencialmente. “Quando as coisas voltarem ao normal, anseio por realizar apresentações ao vivo. Estou trabalhando com alguns projetos a distância, como a própria Orquestra Municipal de Jundiaí está fazendo. Mas não é a mesma coisa. Ter o público prestigiando presencialmente é uma experiência completamente diferente. Infelizmente na minha área (concertos e eventos), possivelmente seremos os últimos a retomar as atividades, para evitar as aglomerações”, lamenta.

Marcos conta que algumas vontades afloraram neste período. “Pular de paraquedas sempre tive vontade, mas falta coragem. Quem sabe agora? Viajar também é sempre bom, ainda mais depois de um período tão grande em casa, mas nada em especial. Poder visitar a família no sul do país já seria ótimo”, afirma.


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