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De Terra da Uva à Terra da Dança

COLABORAÇÃO DE GRAZIELLY COELHO | 14/07/2019 | 05:02

Dançar é sinônimo de concentração e esforço. Ainda mais para quem faz parte de grandes grupos ou companhias. Em Jundiaí, o repertório é grande: estima-se que hoje mais de 15 escolas especializadas em balé clássico, contemporâneo e jazz estão presentes na região formando novos bailarinos profissionais. Além das escolas, há grupos que têm se destacado no cenário cultural do país.

O Instituto de Orientação Artística (IOA) é um deles. A escola existe há 63 anos e carrega ao longo da sua história a marca de um dos corpos de baile mais tradicionais da cidade. Segundo a diretora do local, Luana Espíndola, de 34 anos, desde 2009, quando assumiu a diretoria, o grupo já conquistou milhares de prêmios.

“São cerca de, no mínimo, oito festivais que participamos por ano e uma média de 200 prêmios anuais, dentre primeiros, segundos e terceiros lugares e também premiações especiais, como de Melhor Escola, Melhor Grupo, Melhor Bailarino(a), Melhor Coreógrafo(a), Destaque, Maior Nota”, conta Luana que, além de diretora, é coreógrafa e professora da escola.

A companhia conta com 36 bailarinos que se dividem entre as principais modalidades e representam o IOA Dança nos grandes festivais e eventos. A expectativa é que o grupo cresça e mostre o seu talento em outros lugares do mundo. “Nesse ano, ainda participamos do FIDPOA (Festival Internacional de Dança de Porto Alegre), que nos renderá participações internacionais em 2019 e 2020, na Bulgária, Lausanne e Nova York”, revela a diretora.

Apesar do grande reconhecimento, Luana conta que a companhia também enfrenta seus desafios. “Manter a companhia, com motivação, numa realidade ainda, na maioria das vezes, inconstante e que depende do apoio dos órgãos competentes é o maior desafio. Porém, somos tão guerreiros e talentosos, que somos capazes de, mesmo em meio a tantos obstáculos, manter a qualidade técnica e a esperança de que se pode viver da dança no Brasil.”

A coreógrafa também ressalta seu orgulho em fazer parte de uma cidade com grandes talentos. “Enxergo Jundiaí como um polo potencial da dança e me orgulho da abundância em talentos que temos em nossa cidade, afinal de contas, uma população que valoriza e tem acesso à cultura, certamente tem uma vida diferenciada”.

Outro grupo que também se destaca no cenário é o da escola de dança Kahal. Há 14 anos fazendo parte do cenário artístico, o grupo já participou de diversos concursos, competições e festivais, inclusive em rede nacional. No último mês, o grupo jundiaiense ficou em 2º lugar na disputa final do Dança de Grupo do Faustão, programa da Rede Globo.

A professora e coreógrafa do grupo, Taysa Copelli, 25, conta que a participação veio a partir de um convite e se tornou uma experiência muito importante para a companhia. “Nem sabíamos da existência do quadro, foi a produção quem entrou em contato com a gente, então foi um convite muito especial para ver como nossa arte cresceu e como conseguimos fazer as pessoas enxergá-la. Foi muito importante para o nosso crescimento artístico.”

Além do quadro no Programa do Faustão, a Cia Kahal também esteve presente na final de uma competição promovida pelo Rock In Rio e no programa Se Ela Dança, Eu Danço, transmitido pelo SBT. Neste último, o grupo foi o vencedor em meio aos sete mil grupos inscritos. Para Thaysa, essa foi a participação mais significativa para a companhia. “Foi o mais marcante devido à história, dificuldade e desafios. Ver nosso trabalho sendo reconhecido dessa forma é uma conquista”, conta a coreógrafa.

Representação cultural

Com grande credibilidade e destaque no cenário cultural do município, a Cia. Jovem de Dança de Jundiaí procura expressar e sensibilizar o acervo artístico da cidade. O corpo artístico do Teatro Polytheama, ligado ao Departamento de Teatros da Unidade de Gestão de Cultura (UGC), composto por oito bailarinos, foi retomado em 2018, após quase três anos de extinção, a fim de ampliar a oferta cultural nos eventos gratuitos promovidos pela prefeitura.

Segundo o diretor da Companhia, Alex Soares, a cidade é reflexo de uma extensa gama de talentos artísticos. “Acho que para a Jundiaí é muito importante ter uma companhia de dança. Fazemos um trabalho de excelência fazendo jus a história e a grandiosidade do Polytheama ao longo de sua existência. Me sinto honrado de dirigir uma companhia em Jundiaí pois a cidade sempre foi forte na dança com muitas escolas sérias e de boa qualidade de formação”, diz. Além disso, Alex ressalta o destaque na cidade na formação de grupos e bailarinos profissionais para o mundo artístico.

O diretor também afirma que a companhia enfrenta seus próprios de desafios de consolidação e futuras projeções. “A construção de um elenco e repertório de espetáculos que possam projetá-la para fora de seus territórios, para que a companhia se estabeleça com qualidade no cenário da dança atual é um dos nossos desafios.”

Grupos de dança de Jundiaí despontam no cenário nacional e internacional – além dos tradicionais, como o IOA, a Cia. Kahal é destaque, além da Cia. do Polytheama


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