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De volta às ruas: agora para estender a mão a quem precisa

ANGELO AUGUSTO | 08/08/2019 | 05:00

A Prefeitura de Jundiaí teve de redobrar a atenção dada aos moradores em situação de rua durante o período do inverno. A Operação Noites Frias foi responsável por acolher e dar abrigo para muitos deles durante as noites geladas de julho e agosto.

As pessoas atendidas pelo programa possuem os mais diversos perfis, e a maioria delas opta por voltar às ruas, usando os abrigos apenas como um local para ter uma refeição, tomar um banho quente e dormir protegido.

Porém, algumas têm o desejo de sair dessa situação difícil e procuram ajuda para conseguir um lar permanente, se livrar do vício das drogas e até conseguir um emprego. É o caso de Matheus Silva Pereira, de 39 anos: ele passou três semanas vivendo na rua, mas foi acolhido, e hoje se considera uma nova pessoa.

“É complicado pedir ajuda quando a gente se vê nessa situação. Eu acabei me entregando e no momento que fui pra rua, não queria ajuda. Eu estava bastante indeciso, mas descobri o Centro Pop, através de uma outra pessoa, comecei a frequentar e iniciei uma jornada” relata.

Para Matheus, o passo mais difícil é tomar a iniciativa de pedir ajuda. “Você acaba se acostumando com essa vida, com as coisas “fáceis” e é difícil fazer uma administração da sua vida. Mas quando existe uma prioridade e um foco, como este emprego que estou agora, tudo fica mais fácil. Eu tenho uma grande dificuldade com o orgulho e isso para quem está na rua é muito dolorido. Você precisa bater de frente com seu orgulho e procurar alguém”, comenta.

Atualmente Matheus trabalha no Serviço Especializado de Abordagem Social (SEAS), que é um dos programas que promovem atendimento a pessoas desabrigadas. Ele realiza abordagens, tentando convencer essas pessoas a receberem ajuda e buscarem uma vida melhor a partir dos atendimentos, como aconteceu com ele.

Matheus diz ser outra pessoa desde quando foi recebido pela primeira vez e que não se vê tendo outra vida no momento. “Hoje eu não penso em voltar pra rua de jeito nenhum. Posso falar que me encontrei como ser humano”, avalia. Ele vive hoje na República Casa Santa Marta, local que acolhe quem não tem um lar, mas que faz com que os moradores colaborem com parte das despesas.

Ariane Goim Rios, Diretora do Departamento de Proteção Social Especial da Prefeitura de Jundiaí, reforça a importância de ter alguém como Matheus, que já passou pela difícil experiência de viver nas ruas, fazendo as abordagens e oferecendo ajuda a outros.

“A situação da vida nas ruas é muito heterogênea: cada pessoa tem um perfil diferente. Nós recomendamos que pelo menos uma das pessoas que fazem as abordagens já tivessem tido essa vivência. A saída das ruas é um processo que possui várias etapas, não é algo que acontece de uma hora para outra ou a qualquer momento”, explica.

EX MORADOR EM SITUAÇÃO DE RUA, MATHEUS SILVA PEREIRA


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