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Dengue tipo 2 circula no estado de SP e pode chegar a Jundiaí

VINICIUS SCARTON | 30/01/2019 | 05:05

A circulação do sorotipo 2 da dengue em 19 cidades de São Paulo colocou o estado em alerta esta semana. Desde 2016, apenas o sorotipo 1 da dengue circulava nos municípios paulistas. Apesar de Jundiaí e região não ter registro de casos de dengue sorotipo 2 este ano, o gerente da Unidade de Vigilância de Zoonoses de Jundiaí, Carlos Ozahata, alerta que existe um risco iminente da ocorrência.

Pessoas infectadas por sorotipos diferentes em um período de seis meses a três anos podem ter uma evolução para formas mais grave da doença. De acordo com o governo do estado, foram contabilizados 610 casos de dengue até o dia 15 de janeiro. O número é similar ao verificado no ano passado e, segundo a Secretaria Estadual de Saúde, não representa um quadro preocupante.

“Apesar de não ser ainda a maioria dos casos, ele está circulando já de maneira mais consistente nos municípios da região de Araçatuba, São José do Rio Preto e um pouco em Ribeirão Preto”, afirma o infectologista Marcos Boulos, coordenador de Controle de Doenças da Secretaria Estadual de Saúde.
Dos 645 municípios paulistas, o sorotipo 2 foi detectado em Andradina, Araraquara, Barretos, Bauru, Bebedouro, Catanduva, Espírito Santo do Pinhal, Indiaporã, Ipiguá, Itajobi, Mirassol, Pereira Barreto, Piracicaba, Pirangi, Ribeirão Preto, Santo Antônio de Posse, São José do Rio Preto, Uchoa e Vista Alegre do Alto.

A dengue tipo 2 não é “especialmente pior”. O risco está relacionado à superposição de vírus. “Estava circulando o tipo 1 até agora, e quando circula um tipo e aparece um novo sorotipo do vírus, pode ser 2, 3 ou 4, no caso é o 2, aí pode ter uma evolução para maior gravidade para quem já teve dengue 1”, explicou. O infectologista esclarece que não é mais utilizada a nomenclatura dengue hemorrágica, pois nem todos os casos graves de dengue evoluem com hemorragia.

PREVENÇÃO
A prefeitura de Jundiaí, através de um trabalho em conjunto entre agentes de saúde da Clínica da Família e técnicos da Unidade de Vigilância de Zoonoses (UVZ), intensificou a ação em vários pontos da cidade, incluindo busca por possíveis criadouros do mosquito e orientação dos moradores. Ao todo, Jundiaí registra, em 2019, até o dia 24 de janeiro, 60 casos suspeitos, 8 casos confirmados (2 – autóctones, 2 – importados e 4 – em investigação). No ano de 2018, a contagem chega a 388 casos notificados, 12 confirmados (5 – autóctones, 6 – importados e 1 – indeterminado).

“Quanto à prevenção, Ozahata ressalta a importância da participação da população, juntamente com os serviços públicos, a fim de eliminar os criadouros do mosquito Aedes aegypti. O gerente da Unidade de Vigilância de Zoonoses explica que o tratamento deste tipo de doença é sintomático. “Não existe um tratamento específico para doenças praticadas por vírus e a dengue é uma delas. Portanto, o tratamento é sintomático e de suporte”, comenta.

Ozahata descreve que não está estabelecido que os diferentes sorotipos promovam sintomas mais leves ou mais graves. “Sabe-se que quando uma pessoa adquire um segundo sorotipo, a possibilidade de sintomas mais graves aumenta. Portanto, neste momento, o importante é ressaltar que temos populações vulneráveis aos sorotipos diferentes do 1 e as pessoas precisam estar mais atentas aos sintomas sugestivos da doença. Além do que, é fundamental atentar-se aos cuidados em suas residências e locais de trabalho em relação aos criadouros e também com relação aos seus deslocamento para áreas sabidamente de transmissão da doença”, explica.”

DENGUE ZOONOSES CARLOS OZAHATA

DENGUE ZOONOSES
CARLOS OZAHATA


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