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Dentro da Fundação Casa, jovens infratores buscam reabilitação e oportunidades

vinícius scarton | 19/06/2018 | 05:00

O Centro de Atendimento Socioeducativo ao Adolescente Fundação Casa – Dom Gabriel Paulino Bueno Couto, em Jundiaí, atende atualmente 56 adolescentes infratores, e apenas 21% deles são reincidentes. De acordo com levantamento da instituição, a maioria dos interno, 34, foi detida por envolvimento com o tráfico de drogas. Os dados mostram ainda que a maior parte dos internos (22) têm 17 anos e 4 deles têm 14 anos. Além disso, 50% são de Jundiaí e o restante de municípios da Região.

Com objetivo de oferecer mais oportunidades profissionais e ajudar os jovens a mudar suas histórias, a Fundação Casa recebeu na tarde de ontem a visita inédita do projeto “Empreendedores dos Sonhos”. O projeto é mantido por empresários da Região, com intuito de oferecer aos jovens em risco social a oportunidade de escolher uma profissão e se capacitar por meio da educação.

Durante o evento, os adolescentes acompanharam duas palestras sobre empreendedorismo. O idealizador do projeto, Tuka Felipe, foi o primeiro a palestrar sobre carreira, empreendedorismo e sonhos. “O foco da palestra foi unir os três temas para o desenvolvimento pessoal e profissional dos adolescentes, partilhando experiências da vida quanto ao lado profissional, tão fundamental para o crescimento enquanto pessoa”, diz.

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Outro idealizador do projeto, Rafael Almeida, foi o segundo palestrante do dia e falou sobre o empreendedorismo de outra maneira, ou seja, trabalhando para alguém e melhorando a si mesmo, buscando boas referências. “Além disso, também destaco a importância dos bons exemplos e a persistência para alcançar os objetivos”, resume.

O diretor da Fundação Casa, Marcio Valério Ruiz Alves, ressalta que o evento foi importante para os jovens aprenderem a importância do empreendedorismo e terem a ideia de elaborar seu próprio negócio no futuro. “Muitos deles demonstram interesse por atuações no ramo alimentício e até mesmo no segmento de estética, através das profissões de cabeleireiro e barbeiro”, comenta.

REALIDADE
José Carlos (nome fictício) tem 18 anos e está há 6 meses na Fundação Casa, por conta de um roubo à residência no ano passado. Segundo ele, tal atitude foi motivada por impulso e influenciada por amigos. “Eu me arrependo do que fiz e tenho a expectativa de alcançar a liberdade daqui a dois meses”, afirma.

Questionado sobre as pretensões para o futuro, José Carlos ressalta que deseja voltar a estudar e trabalhar. “Com esse evento, já vislumbro abrir meu próprio salão de cabeleireiro”, destaca.

Rodrigo Santos (nome fictício) tem 17 anos e já está na sua segunda passagem pela Fundação Casa, em virtude de dois roubos em estabelecimentos comerciais, o primeiro em 2016 e o segundo no ano passado. “Eu tomei decisões erradas em minha vida, por falta de oportunidades e por influências negativas de amigos, das quais me arrependo e não farei novamente”, diz.

O jovem tem a expectativa de estar livre daqui a dois meses e planeja uma nova vida para o futuro. “O evento foi uma verdadeira lição, da qual pretendo seguir e, em breve encerrar os estudos, trabalhar e quem sabe entrar em uma faculdade e cursar engenharia mecatrônica.”

Foto: Alexandre Martins/Jornal de Jundiaí

Foto: Alexandre Martins/Jornal de Jundiaí


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