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Depois de 30 anos na rua, Darlan reencontra família

NIZA SOUZA | 19/04/2018 | 06:00

Darlan Santana, 39 anos, morava na rua desde os 11. Chegou à Casa de Passagem de Jundiaí em 2008. Sem nenhum documento e com grande comprometimento motor, cognitivo e mental, passava a maior parte do tempo nas ruas da cidade. Era um dos usuários mais antigos da casa, que frequentava esporadicamente para dormir, tomar banho e comer. Mas depois de tantos anos vivendo nas ruas, na semana passada, após um período de aproximação, ele foi acolhido por um de seus irmãos, que mora em Curitiba, no Paraná, e está se adaptando à nova casa e rotina. “Nosso reencontro foi um momento especial. A última vez que a gente tinha se visto foi em 2001. Eu sabia que ele estava em Jundiaí, mas não tinha condições de trazê-lo para cá. Mas agora a gente conseguiu. Ele está calmo, fazendo tratamento no Caps, sem beber, nem usar drogas. E diz que está feliz aqui”, conta o irmão Anderson Aparecido Santana, de 40 anos.

Darlan foi acolhido pelo irmão Anderson, depois de morar quase 30 anos nas ruas.

Darlan foi acolhido pelo irmão Anderson, depois de morar quase 30 anos nas ruas.

Darlan segura a sobrinha de nove meses

Darlan segura a sobrinha de nove meses .

Histórias como a de Darlan, infelizmente, não são tão comuns, apesar do trabalho realizado por profissionais como Felipe Rodrigues Teixeira, psicólogo da Casa de Passagem que acompanhou Darlan e o ajudou na reaproximação com o irmão. “Ele era um pouco agressivo. Só aceitou receber ajuda e ter um acompanhamento no início do ano passado. Foi no tempo dele”, lembra Teixeira.

A partir daí, a equipe da Casa de Passagem ajudou Darlan a regularizar seus documentos e o conduziu para acompanhamento psiquiátrico e de saúde. Depois de muita investigação, a equipe conseguiu o contato de um dos seus irmãos e começou o trabalho de aproximação. “Descobrimos que o Darlan morou com sua família em seus primeiros anos de vida, depois foi para um abrigo de menores junto com seus irmãos após complicações de saúde de seus pais. Mas, ao contrário desses irmãos, Darlan nunca foi adotado”, conta o psicólogo.

Segundo ele, essa aproximação com o irmão despertou algumas lembranças da vivência em família e o ajudou na reinserção social. “O Darlan é um exemplo para todos aqueles que estão nessa situação de exclusão social, de direitos negados, de vulnerabilidade. Ver a história dele faz a gente lembrar que não pode deixar de lado a humanidade das pessoas.”


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