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Depois do câncer: Jundiaienses que já lutaram contra a doença falam sobre a experiência

SIMONE DE OLIVEIRA | 03/02/2019 | 08:00

Não importa o tempo ou a extensão da doença. Só quem passou pela experiência de ter um câncer ou até mesmo ter algum membro da família com a doença pode dizer como a situação é dramática. Mas o grande alívio é estar vivo para contar que é possível enfrentar a doença.
E é justamente sobre estes enfrentamentos que o Jornal de Jundiaí conta hoje. São três histórias de pessoas que passaram por diferentes diagnósticos e tempos de tratamento, mas em todos a certeza era uma só: a vontade de se curar.
TIVE MEDO DE MORRER
A administradora de empresas Larissa Hoffmann Antunes, de 28 anos, sabe exatamente o que é olhar para trás e agradecer pela vida. Diagnosticada com um carcinoma na glândula parótida em março de 2013, então com 23 anos, ela ficou por quatro meses em tratamento. Apesar de ser um tempo relativamente curto, Larissa conta que sentiu o desespero bater.
“Foi bem complicado. Quando eu recebi o diagnóstico já fazia um ano que minha irmã estava em tratamento por conta de um linfoma. Então foi um choque muito grande para mim e para minha família”, relembra.
Devido ao início de tratamento teve que se afastar do trabalho, em especial pelo trauma psicológico. “Hoje estou totalmente curada apesar de ter ficado por três anos em acompanhamento, mas o mais complicado de tudo é que ao receber o diagnóstico a gente parece que fica de frente com a morte. Eu não posso negar que tive medo de morrer aos 23 anos de idade. Não queria que o tratamento doesse. Passei por cirurgias complicadas e situações difíceis e por isso tive muito medo”, confessa.
O apoio dos amigos e de familiares foi essencial para ela enfrentar este período de angústia física e emocional. Hoje, junto com o seu cão Apollo, faz um trabalho conhecido como Cãoterapia. O trabalho é levar um pouco de alegria às crianças internadas no Hospital Universitário.
“Passei por cirurgias complicadas, mas graças a Deus estou curada e esta experiência me fez amadurecer muito e me aproximar ainda mais da minha família. O meu cachorro Apollo foi meu grande alicerce porque só dele chegar perto, já me sentia bem melhor: ele tirava o sorriso do meu rosto.”
FORÇA NA CAMINHADA
Aos 40 anos, o professor de tênis Marcelo de Souza Coelho sabe muito bem o que é enfrentar um câncer. Quando tinha 20 anos passou pela experiência de ser diagnosticado com carcinoma de rinofaringe e por dois anos ficou em tratamento.
Ele conta que foi um período traumático porque precisou se privar de muitas coisas: como sair com os amigos e até deixar de comer algumas guloseimas.
“A gente acaba se privando de sair para determinados lugares ou fazer certas coisas para focar no tratamento. Desta experiência tiro que vale a pena nunca desistir, pois o tratamento é o único caminho que temos.”
E para as pessoas que estão passando por este ‘desafio’ no momento, um recado. “Para as pessoas que estão começando essa caminhada agora, muita força, foco, fé e foco e determinação. Acreditem, porque vale a pena lutar pela vida.”
RELATO DE MÃE
Em novembro do ano de 2011, Matheus Souto, então com 5 anos, começou a sentir febre em consequência de uma dor de garganta. Foi medicado e dois dias depois começou a reclamar de dores nas costas. A mãe, Juliana Correia Silva de Souto, de 39 anos, achou que poderia ser algum efeito da injeção, mas a dor começou a aumentar e passar para outras partes do corpo. “A dor era tão forte que ele gritava quando eu tentava pegá-lo no colo”, conta.
Matheus ficou internado por alguns dias e neste período foi pedido um exame chamado Mielograma. Daí veio o diagnóstico que a família mais temia: era uma leucemia. “Para complicar ele, adquiriu uma pneumonia e teve que ficar na UTI. Naquele momento, o chão se abriu. Meu mundo desabou e eu queria de toda forma poder acabar com a doença. Confesso que fiquei revoltada, mas graças a Deus sou uma pessoa de fé e tive apoio de meus amigos e familiares.”
Foram 29 dias de internação e pelo menos 11 meses isolado, sem ir à escola ou brincar com outras crianças. A rotina do Matheus, hoje com 12 anos, era dividida entre as idas ao hospital para as sessões de quimioterapia e radioterapia, e os remédios e antibióticos.
“O apoio dos amigos e familiares foi essencial neste período. Aos poucos, Deus foi acalmando meu coração e tive que tomar uma decisão: ou ficava culpando Deus e o mundo por tudo aquilo ou ajudava meu filho a vencer o câncer e, claro, escolhi lutar por ele. Sai do meu trabalho para me dedicar 24 horas por dia a ele”, diz emocionada.
Em junho de 2014 o garoto fez a última quimioterapia e para Juliana foi a comemoração de um renascimento e de uma vitória. A vida dele hoje segue normalmente. “A vida nos ensinou a sermos fortes, a não fugir da luta. Não foi fácil, porque vimos muitas crianças partirem e mães sofrerem, mas acreditamos que cada um tem uma história a ser cumprida aqui. Para quem está passando por esta doença o que digo é confie em Deus, pois Ele pode o impossível e sabe o que é melhor para cada um de nós”, declara.

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