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Desafios dos ensaios on-line

MARIANA CHECONI | 14/06/2020 | 05:00

A pandemia do novo coronavírus mudou os hábitos de toda a população e duas das áreas mais afetadas foram a educação e a cultura. Os profissionais tiveram que se reinventar e o primeiro passou foi unir estas vertentes para conseguir manter o trabalho em dia e atrair a atenção de seus alunos e seguidores.

A maestrina Claudia Feres entende bem a situação. Regente da Orquestra Municipal de Jundiaí (OMJ) ela precisou se adaptar a nova rotina para conseguir conciliar o ensaio entre os 24 músicos da orquestra. “Escolho o repertório pinçando obras que seriam da temporada presencial. A partir disto, divido a orquestra em grupos e dou as diretrizes para gravação com a ajuda de alguns músicos que farão as edições de áudio e vídeo. Temos sorte em ter alguns especialistas no assunto, já que para a orquestra é muito importante um material sonoro de qualidade”, explica.

E completa. “Fazemos reuniões para definição das gravações, tanto nas questões de interpretação quanto nas técnicas. Além disso, fazemos alguns vídeos com toda a orquestra. O que é mais complicado pela questão da sincronização.Temos a sorte de ter uma equipe pequena, mas mesmo assim é a parte mais complicada no on-line”, revela.

Claudia ressalta a importância do auxílio do governo nesse período. “Seria importante uma verba para contratação de profissionais para essas edições, afinal poderíamos produzir muito mais. As edições consomem horas infindáveis de trabalho e sobrecarregam os músicos que tem essas habilidades. Apesar de tudo tem sido um momento interessante para repensarmos práticas e usarmos artifícios que não poderiam ser usados presencialmente”, afirma a maestrina.

A OMJ tem produzido a série ‘Música Armorial’. O material começará a ser postado a partir do dia 20 deste mês e enquanto isso a série #músicaemcasa e #TBTOMJ podem ser conferidos na página da Prefeitura de Jundiaí.

A regente do Coral Clap, Andressa Kinjo também enfrenta dificuldades para administrar as aulas. “Logo após o início do isolamento nós conseguimos nos adaptar e passamos as aulas para o on-line. Foi preciso muita criatividade, mas estamos levando como podemos para que os alunos não percam o contato com a música, seja no sentido de manter de fato a prática ou a rotina. Fazer essa atividade, que traz muitos benefícios emocionais, principalmente em uma fase tão difícil, que exige paciência”, afirma.

Apesar das dificuldades, algumas pessoas enxergam o momento como um desafio profissional. A regente do Coral Astra-Finamax e do Coral Municipal, Vasti Atique, é exemplo disso. “Quando a quarentena se iniciou, me senti desafiada. Fiquei inconformada com a situação, fiz várias pesquisas sobre ferramentas on-line que pudessem ajudar a manter os ensaios e o contato com os coralistas. Chegamos em duas plataformas, o Zoom e o Google Classroom. Uma serve para os ensaios gerais e ensaios de naipes, dividindo em salas simultâneas e a outra para enviar vídeoaulas, teoria, kits de ensaio, vídeos com vocalizes e outros materiais”, conta

Vasti afirma que os resultados estão sendo satisfatórios. “Neste pouco tempo produzimos três vídeos com os corais e outros estão sendo produzidos. Além disso, tivemos outras pessoas interessadas em participar dos ensaios, já fiz vários testes vocais pelo WhatsApp. Outra coisa interessante é que agora não existe mais o impedimento da distância. Os Canarinhos de Jundiaí participam dos ensaios dos Canarinhos de Campinas, por exemplo. Estamos reinventando o canto em coral e a cada dia descobrimos novas possibilidades”, afirma Vasti.


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