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Descarte incorreto prejudica rede de esgoto

SIMONE DE OLIVEIRA | 22/03/2019 | 05:04

O acesso à água e ao saneamento básico é reconhecido internacionalmente como um direito humano mas, infelizmente cerca de 2 bilhões de pessoas não dispõem dos serviços mais básicos. Hoje, quando se comemora o Dia Mundial da Água, instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU), é preciso pensar em como fazer o uso correto da água e de todo o processo que envolve este tema, inclusive o tratamento de esgoto.
Em Jundiaí, mesmo com um índice de 96% de remoção da carga orgânica em todo o município, o desafio da Estação de Tratamento de Esgoto (ETEJ) é diminuir a quantidade de lixo descartado irregularmente na rede de esgoto por meio de pias e vasos sanitários trazendo uma série de prejuízos ao município. “Além de entupir as redes coletoras, esses itens podem comprometer equipamentos da Estação interferindo na proteção da saúde pública e preservação do meio ambiente”, comenta a coordenadora de meio ambiente da Companhia Saneamento de Jundiaí (CSJ), Ana Paula Fernandes Abrahão.
Ela explica que descartar produtos inflamáveis, remédios, tintas, óleo de cozinha, absorventes e preservativos de forma inadequada são atitudes ainda constantes. “Infelizmente recebemos grandes quantidades desses resíduos na ETEJ. Só ano passado cerca de 300 toneladas de lixo chegaram pela rede de esgoto. Portanto, ao destinar esses produtos adequadamente o cidadão contribui para a eficiência do tratamento e, indiretamente, para a qualidade do Rio Jundiaí”, explica.
A média de tratamento de esgoto na ETEJ é de 1,25 mil litros por segundo. “São recebidos por dia aproximadamente 115 milhões de litros e a eficiência no tratamento é de cerca de 96% de remoção de carga orgânica”, afirma.

RIO JUNDIAÍ
Quando se fala em descarte correto de resíduos, não é apenas evitar entupimentos das redes coletoras: o trabalho é bem mais amplo. Como explica Ana Paula, a recuperação do Rio Jundiaí vem sendo intensificada nos últimos vinte anos, sendo que o descarte adequado dos resíduos e o tratamento do esgoto coletado contribuem consideravelmente para isso. “É um trabalho a longo prazo, mas que está dando resultado. Com a reclassificação do rio, de 4 para 3 (em escala de poluição), nasceu a possibilidade de torná-lo uma fonte hídrica a ser usada para abastecimento público quando necessário. Outro grande indício de que os esforços estão surtindo resultados positivos é o retorno de vários peixes, entre eles o peixe Jundiá, que deu nome ao rio e à cidade”.
A especialista ainda esclarece que o tratamento adequado reduz os índices de doenças causadas por águas contaminadas, melhorando a qualidade de vida de todos. “A CSJ trata 100% do esgoto coletado, removendo substâncias que poderiam contaminar os rios e provocar a morte de organismos aquáticos”, explica.

AGUA-ESGOTO


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