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Desemprego e reflexão marcam o Dia Mundial do Trabalho

Kátia Appolinário | 01/05/2020 | 06:00

Com o desemprego na casa dos 12 milhões neste primeiro trimestre, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), o Dia Mundial do Trabalho adquire uma retórica diferente. O aumento foi de 1,2 milhão de pessoas em relação ao último trimestre de 2019. Assim, o desemprego, potencializado pela parada dos serviços não essenciais, trouxe incerteza à vida dos trabalhadores.

Diante deste cenário, a população tem se desdobrado como pode para conquistar o próximo salário. O ex-açougueiro Jair Lopes, de 57 anos, por exemplo, recorreu aos semáforos. Ele vende artesanato e conservas de pimenta e não se envergonha da função. “É um trabalho difícil, porém honesto. Estou aí embaixo de sol e chuva todos os dias porque não tenho outra opção”, compartilha, lamentando que as vendas estejam escassas devido ao baixo fluxo de pessoas nas ruas.

A confeiteira Talitha Vendramin de Vares, de 40 anos, também faz parte dessa estatística. Ela trabalhava em uma padaria da região e foi notificada via WhatsApp sobre o encerramento de seu contrato. “Agora ficará mais difícil. Não tenho outra fonte de renda, meu marido está afastado da empresa por conta do coronavírus e temos uma filha de 11 anos para sustentar”, relata.

REFLEXÃO
Para a professora de história e doutora em ciências políticas Taís Battibugli, de 46 anos, este ano será de reflexão para os trabalhadores. “Nos últimos anos passamos pela flexibilização do trabalho, pelo enfraquecimento dos sindicatos e ainda pela proliferação dos subempregos. O trabalho está mudando e, com a crise política e econômica que estamos passando, a tendência para este cenário não é positiva. De certo, o trabalhador tem mais pontos para repensar do que para comemorar”, pontua.

 

Este ano, sindicatos e associações cancelaram as festividades alusivas ao tema justamente pelo isolamento social. O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Jundiaí e Região (Sincomercio) e da Câmara de Dirigentes Lojistas de Jundiaí (CDL), Edison Maltoni, afirma que a data não deve ser esquecida. “O Dia Mundial do Trabalho é uma data importante que deve ser celebrada para enaltecer a importância dos trabalhadores em todos os segmentos da economia. Neste momento, prestamos nossa homenagem aos trabalhadores que fazem a diferença nos negócios”, declara.

Eliseu Silva Costa, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, conta que para a classe, a data também será celebrada de forma mais tímida. “Sempre abrimos o dia com uma missa de agradecimentos e em seguida realizamos um festival com artistas locais, mas neste ano faremos apenas uma transmissão nas redes sociais da nossa tradicional missa on-line. O intuito é pedir proteção a todos e abençoar as carteiras de trabalho nesse período em que tantos estão desempregados ou com o risco de perderem seus empregos”, ressalta.


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