Jornal de Jundiaí | https://www.jj.com.br

Desemprego faz ceia de Natal ficar mais modesta

Guilherme Barros | 22/12/2019 | 06:00

A ceia de Natal de aproximadamente 12,6 milhões de brasileiros desempregados não deve ser de fartura. Diante da atual realidade social, muitos deles vão ter que se virar como podem para garantir o mínimo de dignidade.

Diego de Souza deixou no fim de 2018 um trabalho regular depois de dez anos. Casado e pai de dois filhos, ele precisou se readaptar diante de um cenário de economia em recuperação e lenta retomada do emprego formal.

Foi aí que a criatividade entrou em ação. Ele montou uma loja física para vender roupas. Não satisfeito com os resultados iniciais, usou o próprio carro como estande de vendas aos finais de semana, quando também completa a renda como técnico de futebol em Jundiaí e Várzea Paulista. “No futebol, faturo entre R$ 800 e R$ 1000 e, nas vendas de roupas, tenho um faturamento bruto de até R$ 4 mil. Mas isso num total. Aí tenho de descontar o aluguel do espaço, pagar fornecedores. Não sobra muito”, diz.
Ele atenta para os meses de baixa procura dos materiais. “Em outubro, por exemplo, encarei um déficit de quase R$ 3 mil. Não é todo mês que vende bem”, lamenta o empresário.

Diego Souza também é educador social voluntário da Casa de Nazaré e foi diante da dificuldade que achou outra brecha entre os boleiros no universo em que vive. Criou uma espécie de trabalho “freelancer” de composição de artes gráficas envolvendo escudos das equipes amadoras. “A ‘empresa’ nasceu a partir da demanda desses times amadores de promover seus jogos nas redes sociais. Aí, vi que dava para fazer dinheiro com isso também”, continua.

As comemorações de Natal da família de Diego são sempre animadas, independentemente da condição. Ele aprendeu que o que vale é a união de todos. “Eu vejo isso na Casa de Nazaré. Eles estão longe da família, então aprendi a dar valor à união e ao afeto. O Natal é mais que uma ceia farta”.

Falência
A derrocada no setor de construção civil, em 2016, fez com que a construtora da família de Luciana da Silva Requelme Oliveira fechasse as portas e demitisse todos os funcionários. A empresa participava de licitações públicas e tomou uma sequência de calotes, chegando a falir. “Na época, meu pai havia acabado de se aposentar e ficou muito abalado. Tivemos de fechar as portas”, lamenta.

Era hora de se reinventar. Luciana, ao lado do marido, montou então uma distribuidora de queijos mineiros em Louveira. O negócio não engrenou. “A gente teve a ideia, mas não conseguimos engrenar e o negócio voltou para a informalidade”, comenta. Hoje ela ainda vende os queijos, mas não com loja física.

Luciana conseguiu trabalho em outra empresa, mas foi desligada no começo do ano por corte de contingente. Desde então, está sem emprego formal e ajuda o marido, auxiliar de brassagem de uma cervejaria, aos finais de semana. “Hoje, nossa vida mudou completamente. A realidade é totalmente outra. Já tivemos Natais mais fartos. Nosso orçamento hoje é um terço do que era antes do fechamento da construtora. Sonhos foram interrompidos, planos foram adiados, mas é a realidade do país em que vivemos”, finaliza.

 


Leia mais sobre | |
Guilherme Barros
Link original: https://www.jj.com.br/jundiai/desemprego-faz-ceia-de-natal-ficar-mais-modesta/
Desenvolvido por CIJUN