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Detentos ganham panetones e participam de missa no CDP

COLABORAÇÃO DE LIGIA ANDRADE | 20/12/2018 | 05:03

O Bispo Dom Vicente Costa esteve no Centro de Detenção Provisória Marcos Antônio Alves Bezerra, em Jundiaí, nesta quarta-feira (19), onde celebrou missas destinadas aos detentos e aos funcionários. Acompanhado pelo padre Clóvis e o Pastor Ricardo, o bispo abençoou mais de 2 mil panetones doados e os distribuiu após a missa, com o desejo de paz, esperança e alegria.
“Alguém está com uma bíblia aí?”. Perguntou o bispo, iniciando a celebração. Em segundos, diversas mãos foram levantadas, segurando bíblias de vários tamanhos. O religioso escolheu uma, pequena e um pouco amassada, e a leitura começou. Muitos levaram a mão sobre o coração em respeito, outros baixaram o olhar e alguns se emocionaram.

O sol estava forte, os raios entravam pelos buracos de uma rede sobre suas cabeças, e o nascimento de Jesus foi relembrado pelo pastor e pelo bispo. Cada um em sua religião, porém com o mesmo intuito: levar a esperança para dentro dos inúmeros portões fechados do CDP. É o segundo ano de doações de panetones. O primeiro para alguns detentos. Após a reza, foram entregues de mão em mão, enquanto um dos detentos se colocou à frente do grupo para agradecer a ação dos religiosos e dos funcionários do CDP, com votos de Feliz Natal e Próspero Ano Novo.

Seguindo do pátio ao prédio administrativo, os três religiosos também realizaram uma missa destinada aos funcionários e aos policiais. “Esse é o segundo ano que conseguimos a doação dos panetones para os presos e servidores”, lembra Alexandre Apolinário, diretor do Centro de Detenção Provisória. “Todo mundo fala que preso é preso, mas lá no fundo, independentemente dos atos que tenha cometido, é um ser humano, e em algum momento da vida ele já teve sua pureza, mesmo que quando criança. Nesse momento em que ele recebe o panetone, ação inesperada pois um preso jamais vai esperar que um padre, um bispo e um pastor venham aqui, como presente de Natal, essa surpresa gera uma reflexão muito grande sobre o que se passou em sua vida”, comenta Apolinário.

REINTEGRAÇÃO
Para Alexandre Apolinário, a ação religiosa, em conjunto com a educação e a família, é imprescindível no processo de reintegração do detento à sociedade. Foi com esse propósito que o padre católico e o pastor evangélico se uniram há cerca de dois anos, e hoje continuam a levar esperança aos detentos, acolhimento às suas famílias e distração às crianças que visitam seus pais.

“A assistência religiosa ocorre tanto nos finais de semana quanto durante a semana, e são destinadas aos presos, às suas famílias e aos funcionários”, explica o diretor. Enquanto o pastor Ricardo é responsável por cuidar das crianças que esperam suas mães saírem da revista, com leituras, orações e brincadeiras, o padre Clóvis acolhe as famílias em uma capela, local em que alguns parentes chegam a pernoitar.

A ação dos religiosos contradiz o cenário antigo, no qual as crianças choravam durante a revista das mães, aflitas pelo clima pesado do CDP, e as famílias tinham de passar noites à beira da estrada, aguardando o horário de visita. Hoje, café da manhã e jantar também são proporcionados às famílias por meio de doações.

ATO ECUMENICO NO CENTRO DE DETENCAO PROVISORIA DE JUNDIAI CDP

ATO ECUMENICO NO CENTRO DE DETENCAO PROVISORIA DE JUNDIAI CDP


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