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Dia da Consciência Negra suscita desafios para o alcance da equidade racial

BÁRBARA NÓBREGA MANGIERI | 18/11/2018 | 05:04

Para mais da metade da população brasileira – os 54% que se consideram pretos e pardos – o feriado da Consciência Negra, comemorado nesta terça-feira, 20 de novembro, não é apenas um dia de descanso do trabalho, mas uma data para lembrar as injustiças ocorridas com seus antepassados e refletir sobre suas consequências que, até hoje, trazem desafios para o alcance da equidade entre negros e brancos no “país da miscigenação”.

Para Eduardo Ramalho, presidente do Conselho Municipal de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra, a sociedade ainda precisa reconhecer que alguns erros do passado precisam ser compensados. “Quem é diferente precisa ser tratado com diferença, pois cada um tem uma necessidade específica”, diz. “O Brasil é o único país em que mais da metade da população é tão inferiorizada e mal representada que é considerada uma minoria”, reflete.

Ele reconhece que a comunidade teve alguns avanços nos últimos anos. “Hoje você vê mais negros protagonizando papéis importantes na TV, nos jornais e nas novelas”, constata. “É importante para nossas crianças virem que o negro não é só bem-sucedido no esporte e na música, mas onde quiser. Não é o tom de pele que vai definir nosso sucesso profissional ou lugar na sociedade”.

No entanto, os avanços ainda estão aquém no necessário, e atualmente correm um sério risco de retrocesso. “No Brasil, 90% das pessoas admitem que existe racismo, mas só 20% se assumem racistas. Esse preconceito obscuro sempre esteve no subconsciente e, agora, estamos passando por um momento político que aflora esse sentimento de ódio que estava guardado. Nesse aspecto, vejo momentos difíceis para nossa luta nos próximos anos”, diz.

Essa também é a sensação de Reginaldo Manoel da Costa, um dos organizadores da Marcha da Consciência Negra de Jundiaí, que traz o tema “A Falsa Abolição (Inacabada)” em 2018. “Este ano marca o 130º aniversário da Abolição da Escravatura, mas ainda vemos nossa população ser perseguida nos shoppings e mercados e ser violentamente morta”, diz. Ele afirma que parte da luta do movimento é firmar o Dia da Consciência Negra como feriado nacional. “Apenas 1.045 dos mais de 5 mil municípios no país reconhecem a importância da data. Nos outros lugares, é feriado facultativo”, lembra.

Programação
A cada ano, a Marcha homenageia diversas personalidades negras importantes e majoritariamente esquecidas pela História. Este ano, os homenageados são Nelson Mandela, que completa seu centenário, e a líder quilombola Tereza de Benguela. “Temos a missão de levar o conhecimento sobre eles à escolas, faculdades e instituições”, diz.

A Assessoria de Políticas para Igualdade Racial, órgão ligado à Casa Civil da Prefeitura de Jundiaí, elaborou uma extensa programação cultural e educativa ao longo do mês para debater a questão. “É um mês para dar mais visibilidade às pautas da causa negra e mostrar a contribuição que esta comunidade deu à cultura brasileira”, afirma Isabela Galdino, assessora da pasta.

A Marcha faz parte da programação e acontece nesta terça (20), a partir das 9h30. O grupo vai se concentrar na rua Barão de Jundiaí, nº 109, e vai caminhar pelo Centro até a Catedral Nossa Senhora do Desterro.

MARCHA DA CONSCIENCIA NEGRA CENTRO DE JUNDIAI


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