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Dia internacional do Orgulho LGBT+ completa 50 anos

COLABORAÇÃO DE MARIANA CHECONI | 28/06/2019 | 05:02

O ano de 2019 marca os 50 anos do Dia Internacional do Orgulho LGBT+, comemorado em 28 de junho. A data, marcada pela Rebelião de Stonewall, em que ocorreu uma série de manifestações da comunidade LGBT+ contra uma invasão da polícia de Nova York, representa uma luta que eles enfrentam todos os dias para conseguir algo que deveria ser comum ao ser humano, o respeito.

Em busca de histórias inspiradoras, encontramos um casal que se descobriu após a adolescência. Julie Anne Caldas e Marianne Vorrath nunca tinham se relacionado com outras mulheres. Sempre com homens. Se conheceram na igreja que frequentavam desde muito novas. Julie ficou casada durante quase 10 anos com seu ex-marido. Relacionamento que gerou João Pedro, hoje com 10 anos. Após a separação, as amigas, que conviviam bastante por conta da igreja, se aproximaram e um sentimento maior que amizade surgiu. “Foi a Julie que não tinha medo de muita coisa e não ligava muito para as caras feias, que, aos 30 anos, depois de terminar um casamento, se viu apaixonada por uma amiga e resolveu não fugir desse sentimento”, relata.

Julie conta que começaram a namorar em 2012. Ela com 30 anos e Marianne com 26. O relacionamento foi uma descoberta para as duas. “Durante o casamento com meu ex-marido, algumas vezes senti indícios que me levaram a acreditar que eu poderia gostar de mulheres, mas isso só se confirmou quando me separei e me aproximei da Mari. Com ela foi assim também, embora ela nunca tenha sido casada”.

O casamento veio após dois anos de namoro. “Posso afirmar que a felicidade de poder descobrir e libertar, depois de tantos anos, quem eu realmente sou, não tem preço”, afirma Julie.

RELACIONAMENTOS
A adolescência é um período de descobertas para todos os jovens. Geralmente, é nessa fase que a sexualidade aflora. Renan Coutinho, 21 anos, conta que começou a descobrir sua orientação sexual por volta dos 12 anos. “Eu acho que é nessa época que estes assuntos viram pauta na escola. Os meninos e meninas começam a se relacionar e há uma pressão social para se ‘encaixar’ nesses padrões. Por este motivo, talvez, que eu tenha começado a me relacionar com meninas. Eu achava que era apaixonado por elas, e somente sentia atração por meninos, o que não queria dizer que eu era gay”, diz. Renan conta que somente mais tarde percebeu que realmente gostava de homens. Apesar de alguns desentendimentos com a mãe, recebeu todo o apoio da família. “Quando comecei a namorar com um garoto, minha família recebeu muito bem. No começo brigava muito com a minha mãe, pois quando ela ficava sabendo que os outros estavam comentando, se chateava. Ela sempre se importou com a opinião das pessoas. Foi uma época difícil. Conversando com outros parentes, inclusive meus avós, conseguimos tranquilizá-la. Hoje, eu tenho uma família inteira que luta pela minha causa e que me apoia em todos os sentidos”, conta o jovem. E foi durante a parada do orgulho LGBT+, que ocorreu esse mês em São Paulo, que Renan teve certeza desse apoio. “Eu não pude ir, estava viajando, mas minha mãe estava lá com meu irmão pra representar a mim e todos os outros que vivem isso na pele”, ressalta.


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