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Direitos humanos não são esquerda e nem direita

GUSTAVO AMORIM - GAMORIM@JJ.COM.BR | 24/03/2018 | 20:01

O assassinato da vereadora carioca Marielle Franco (PSOL-RJ) suscitou diversos tipos de mensagens nas redes sociais. Movimentos políticos diferentes lamentaram o crime, o Papa Francisco ligou para a mãe da vereadora e protestos no Brasil e em diversos lugares do mundo pediam justiça por ela e por Anderson, o motorista que dirigia seu carro.

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Uma parcela da população, por outro lado, chegou até a comemorar a morte de Marielle argumentando que ela era “defensora de bandidos” ou “defensora dos direitos humanos”. O partido da vereadora – o PSOL – é de esquerda e têm entre as suas políticas a defesa dos Direitos Humanos, promulgados pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1948.

Mas afinal, por que no Brasil a pauta dos Direitos Humanos é ligada à esquerda, se o direito humano não suscita ideologias? “Esse é um grande equívoco brasileiro”, afirma Antônio Grillo Neto, advogado mestre em Direito e Coordenador de Economia e Ética da Academia Paulista de Direito.

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Ele explica que a Declaração Universal da ONU não tem vinculação com ideologias, preferências, simpatias e/ou antipatias. “Direitos Humanos são os direitos que você tem simplesmente por ser Humano”.
O artigo 1º da Declaração defende: “Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão e consciência e devem agir em relação uns aos outros com espírito de fraternidade.”

No Brasil, segundo Grillo Neto, a esquerda política sempre foi mais atenciosa aos temas defendidos pelos Direitos Humanos do que a direita. A cientista política Joyce Luz explica que a Assembleia Nacional Constituinte de 1988 foi importante nessa “percepção”. “A esquerda, mesmo sendo um grupo minoritário à época, foi quem batalhou pela implantação do SUS, por exemplo. A direita não queria o sistema único de saúde porque, na visão do grupo, iria onerar muito o cofre do Estado Brasileiro.”

Joyce lembra ainda que a discussão é muito maior do que o aspecto social. Para a esquerda, o Estado tem que ser o provedor da sociedade, enquanto a direita pretende o liberalismo, ou seja, que o Estado não interfira principalmente nas ações econômicas”, diz.

Redes Sociais

Para Grillo Neto, as redes sociais são importantes porque dão a ideia de existir um mundo perfeito, onde todos pensam iguais – o que não é verdade. “As pessoas perdem a paciência e cordialidade de um encontro pessoal, e acabam se tornando intolerantes.


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