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DNIT é condenado a reformar ‘Estaçãozinha’

Guilherme Barros | 07/12/2019 | 05:00

A Justiça Federal da 3ª Região determinou que o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) faça a imediata reconstrução da estrutura e do telhado da ‘Estaçãozinha’. O processo corria em segredo de Justiça. O texto ainda diz que “é cabível e necessária a concessão de medida liminar neste momento, em razão do tempo já decorrido e do evidente perigo da demora, pelo risco decorrente das condições periclitantes do prédio”. O não cumprimento da sentença acarretará multa de R$ 5 mil por semana.

Este processo foi expedido em dezembro de 2018, depois que o espaço foi incendiado em julho daquele ano. “Existe um outro processo, movido desde meados de 2000, este sobre todos os outros espaços abandonados em Jundiaí, Louveira e Campo Limpo Paulista. Também foi determinado que seja feito este levantamento, responsabilidade do DNIT também”, avalia Eusébio Santos, presidente do Instituto Envelhecer. O órgão foi criado com o objetivo de preservar a memória da ferrovia.

Apesar de processos como esses serem relativamente demorados, Santos comemorou a rapidez da Justiça. “Decisões como essas mostram que a gente que luta pela preservação do patrimônio histórico tem boas relações com o judiciário”, comemora.

Toda a área da antiga Fepasa foi transferida para o DNIT, com exceção do complexo que leva o mesmo nome, este transferido para a Prefeitura de Jundiaí e que abriga vários órgãos.

Santos chegou a Jundiaí para fazer um laudo do Museu Ferroviário em 1998 e nunca mais voltou para São Paulo. À época, ele era gerente de treinamento da empresa. Até hoje se mobiliza para manter a memória de um dos mais importantes dos séculos 19 e 20: o desenvolvimento das cidades por meio da chegada da ferrovia. “Os municípios precisam ajudar a manter esses patrimônios. Eu ajudei a montar o Museu da Ferrovia de Santos e agora preparo o de Juquiá, na região de Registro. Me dedico para isso e Jundiaí não é diferente”, comenta.

Procurado via assessoria de imprensa, o DNIT não se pronunciou sobre a decisão até o fechamento desta edição.

Espaço voltando

pós anos abandonada, a ‘Estaçãozinha’ chegou ao ápice da degradação e do descaso das autoridades em 9 de julho de 2018, quando o prédio foi incendiado de maneira suspeita.

Desde então, voluntários tem se dedicado a devolverem ao espaço à sua devida importância. “O Celmi, por exemplo, foi criado para gerar renda para que pagássemos energia desses espaços. São dezenas de voluntários do próprio ‘Instituto Envelhecer’ que participam com ações que vão desde a limpeza do terreno local até ações culturais”, continua Santos. O entorno do local é administrado pela prefeitura.

No fim de ano, por exemplo, haverá uma série de atrações culturais voltadas à população. As festas fazem parte justamente desta retomada do espaço público como um dos cartões postais de Jundiaí.
A partir do dia 16 (segunda-feira), às 19h30, serão acesas luzes com efeito cascata como decoração do espaço. A iniciativa será prolongada até o dia 20.

Depois, no dia 21 (sábado), partir das 16 horas, uma série de atrações está programada. “Serão apresentações culturais, teremos praça de alimentação, faremos o acendimento da árvore de Natal, além da chegada do papai Noel. Teremos também exposição de presépio, a instalação da ‘Placa do Patrimônio Histórico’, além do lançamento do projeto Estaçãozinha 360º”, explica Santos.

 

ESTACAOZINHA DE JUNDIAI

 


Guilherme Barros
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