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Do futebol à contabilidade, Tico Milani é memória viva

THIAGO AVALLONE | 14/12/2019 | 10:00

Aos 91 anos, Fortunato Milani, o Tico Milani, relembra sua história atrelada à cidade, especificamente ao Centro de Jundiaí, onde viveu a vida toda.

Seus pais – provenientes de Limeira – venderam sua fábrica e migraram para Jundiaí. Na Terra da Uva, compraram terrenos enormes no Centro, onde hoje está localizado o Hotel Rosário. Todo aquele quarteirão um dia já foi o quintal da casa de Tico: os prédios que atualmente estão na região, ainda não existiam, as ruas eram completamente diferentes e o principal ponto de encontro era a Catedral. Foi lá que conheceu sua esposa, em um casamento que já dura 70 anos.

“A rua principal do Centro era a rua Barão de Jundiaí, as moças se perfilavam na calçada e os homens ficavam conversando na praça: assim nós interagíamos e conhecíamos as pessoas. É gostoso relembrar essa época: ficávamos atrás da Catedral, para aproveitar o coreto todo sábado e domingo. As festas eram sempre lá”, explica Tico.

Quando jovem, ele estudou contabilidade no Anchieta e, assim que terminou o curso, iniciou seu primeiro e único trabalho como contador na Prefeitura de Jundiaí, onde ficou por 35 anos, até se aposentar.

Além de estudar e trabalhar, durante toda sua vida sempre jogou futebol. Passou por vários clubes do campeonato amador da cidade, e, no seu sítio, criou o seu próprio time que jogava todos os finais de semana: o Bafo de Elite, que era representado realmente pela elite da cidade, desde prefeito e vereadores até grandes empresários, que jogavam aos finais de semana no sitio da família Milani.

Conhecido atualmente por ser a memória viva de seu irmão, Mário Milani, jogador de futebol nos anos 40, Tico não perdeu a oportunidade de falar de quem tanto admirava.

“Vocês precisam ver as recordações do meu irmão. Na década de 40 foi campeão de tudo: superartilheiro e campeão brasileiro pelo Fluminense, São Paulo, Corinthians e alguns outros times. Muitas manchetes na sua época exaltavam seu futebol: quando jogou no São Paulo, a gente lia coisa como: ‘o craque que colocou Leônidas da Silva no banco’. No Fluminense, jogou com o outro jundiaiense, Romeu Pelliciari, formando a melhor linha de frente da época. Por fim, escolheu um time como seu, o Timão, onde ele mais se destacou”, conta Tico.

Em homenagem feita pelo desembargador Renato Nalini, ele ressaltou: “Os Milani são um dos pilares desta nossa Terra da Uva. Mário Milani (1918-2003) foi jogador profissional no São Paulo, campeão pelo Fluminense em 1940. Jogou durante oito anos no Corinthians e foi campeão nada menos que 18 vezes. O pai, de quem “Tico” herdou o prenome, Fortunato, foi, na verdade um afortunado. Era o proprietário do imóvel número 91 da rua do Rosário, onde o mecenas professor Pedro Clarismundo Fornari começou a trajetória exitosa do conglomerado educacional Padre Anchieta. Para isso, Fortunato adaptou o edifício e depois o ampliou quando a demanda do alunado o exigiu. Renunciou a locá-lo por valor maior, apenas para manter o compromisso firmado com o professor Fornari. Gestos que enobrecem e hoje são raros, mas que repercutiram na vida escorreita e benfazeja de “Tico” Milani, digno herdeiro da tradição paterna.”

Tico Milani é um típico representante jundiaiense, que viveu de suas raízes históricas no Centro e marcou presença

Elias: amor, gratidão e honra em se tornar cidadão jundiaiense

O empresário Benedito Elias, de 87 anos, não é natural de Jundiaí, mas é como se houvesse nascido na Vila Rami. No século 20, o município descobriu a sua vocação industrial e, neste período, trouxe trabalhadores e investidores em busca de uma vida melhor, como o caso de Benedito Elias de Almeida. Hoje conhecido na cidade devido ao seu supermercado, que já soma 55 anos de serviços prestados ao bairro.

Aos 16 anos, Elias se mudou com sua família para Jundiaí e desde jovem já trabalhava no comércio da cidade. Seu pai dizia que, entre estudar e trabalhar, ele deveria ter um trabalho para poder trazer dinheiro para casa. Ainda assim, Elias se desdobrava: trabalhava durante o dia todo e ia a pé para o curso durante a noite. Após concluir seu curso, ele começou a empreender, e em 1953 abriu seu primeiro negócio.

“Em 1953 comecei com uma lojinha bem pequena, na rua José Bedendo. Depois de lá, me mudei duas vezes, mas sempre na Vila Rami, até ficar naquele último ponto onde todos conhecem e hoje é o Supermercado Boa. Nesse meio tempo, entrei na política: naquela época era muito fácil ser eleito, pois as pessoas da Vila Rami estavam sempre do meu lado, e foi nessa época que fiz o que pude para retribuir”, explicou.

Benedito Elias, que se diz muito grato pelo reconhecimento dos jundiaienses, principalmente dos moradores da região da Vila Rami, foi eleito duas vezes vereador: a primeira quando o professor Pedro Fávaro era prefeito e a segunda quando Walmor Barbosa Martins estava no cargo.

“Sou muito grato por tudo que Jundiaí fez por mim e muito feliz por ter retribuído com o que pude. O projeto da praça Dal Santo, por exempolo, é meu, do prefeito Pedro Fávaro e do prefeito seguinte, Walmor Barbosa Martins. O Dal Santo hoje é uma joia rara em Jundiaí”, concluiu Elias.

Desde que Elias chegou à Vila Rami, nunca mais conseguiu sair de lá. Por mais que tenha imóveis em outros bairros da cidade, ele explica que o sentimento de amor e carinho que tem pelo povo daquela região faz com que todos os dias esteja por ali.

“O povo da Vila Rami sempre me ajudou e depositou muita confiançaem mim. Não só eles mas toda Jundiaí”, finaliza.

Benedito Elias viveu a vida toda na Vila Rami e, aos 87 anos, agradece este amor


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