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Doação de órgãos: Hospital São Vicente faz em média seis captações por mês

VINÍCIUS SCARTON | 30/06/2018 | 05:40

A Comissão Intra-Hospitalar de Transplantes do Hospital de Caridade São Vicente de Paulo, em Jundiaí, realizou de 2008 até junho deste ano, 467 captações de órgãos.  Somente em 2018, de janeiro a junho, ocorreram 39 captações, uma média de 6 órgãos por mês, sendo 15 de rins, 14 de córneas, 7 de fígados, 2 de pulmões e 1 de coração.
Nesses quase dez anos (completados em dezembro próximo), a captação de rins lidera o ranking de procedimentos, totalizando 207. Na sequência aparecem fígado, com 179, e córneas, com 34, além de 18 captações de corações, 16 de pulmões e 13 pares de ossos (retirados da perna toda). De acordo com informações do hospital, o procedimento de captação de órgãos leva em média 18 a 24 horas, a partir da autorização da família, com variação de tempo para cada caso. Vale destacar que nem todos os órgãos podem ser doados e dependem de uma avaliação clínica. Os órgãos captados pelo São Vicente atendem a uma fila de espera que abrange a região de Campinas, em hospitais referenciados, como a Unicamp.

HUMANIZAÇÃO
A comissão responsável pela captação trabalha de acordo com entendimento de cada família, sempre com empatia e linguagens mais didáticas para humanizar a doação. Segundo a enfermeira Thaís Fernanda da Rocha Santos, a equipe tem ciência do momento de dor de cada família. “A abordagem médica é feita com apoio da equipe, para oferecer o melhor acolhimento. Esse processo é muito rápido. São cerca de três horas até o início da captação”, resume. Já em casos de mortes inesperadas, como acidentes, por exemplo, a profissional explica que, a princípio, a família não consegue compreender a abordagem da equipe. “No entanto, explicamos que a doação de órgão é um ato de nobreza imenso naquele momento de dor e, posteriormente, a iniciativa torna-se um remédio para a perda”, afirma, destacando que a equipe conta com um médico coordenador, uma coordenadora assistencial do pronto-socorro e pronto-atendimento, um psicólogo, uma assistente social, um médico intensivista e um fisioterapeuta.

“Hoje a nossa comissão faz parte do Programa Paulista de Apoio às Comissões Intra-Hospitalares de Transplante. O programa consiste no estímulo à busca ativa e manutenção da viabilidade do doador potencial até o momento da captação dos órgãos e tecidos para transplantes”, afirma. Segundo a enfermeira, a carteirinha para doação ou o RG informando a vontade de doar não tem validade. “Mas atualmente temos tido outro tipo de desafio. Grande parte dos pacientes adultos ou idosos ainda estão com a foto de criança ou de adolescente no documento de identidade, ficando inviável confirmar que se trata da mesma pessoa. O que ajuda são as carteiras de motoristas, quando são trazidas pela família, ou passaporte. Mas na maioria dos casos, os familiares trazem a certidão de nascimento. Além disso, a comissão conta com o apoio de identificação dos pacientes, através do instituto de identificação”, diz.

A enfermeira ressalta ainda que a comissão conseguiu implantar duas salas de acolhimento das famílias, uma no pronto-socorro e outra perto da internação, para as unidades das clínicas médicas, assim as famílias que chegam desesperadas por informações dos pacientes têm onde ficar. “A comissão tem o conhecimento técnico reconhecido. Foi pioneira em Jundiaí. Nós apoiamos a implantação da comissão no Hospital Universitário e também nos hospitais particulares da cidade”, comenta.

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REALIDADE
No dia 28 de abril deste ano, por volta das 22h, a família do fisioterapeuta José David Pereira Junior, de 41 anos, recebeu uma notícia muito difícil. “Meu irmão (Marcelo Cândido Pereira, de 46 anos) tinha acabado de sofrer um acidente de trânsito em Jundiaí. Ele foi atendido pela emergência e conduzido para o Hospital São Vicente de Paulo”, lembra. No hospital, David recorda que a equipe médica realizou todos os procedimentos possíveis para salvar a vida de Marcelo. “Mas, infelizmente, foi detectada a morte encefálica dois dias após o acidente”, conta.

Segundo o fisioterapeuta, o hospital prestou toda a assistência ao seu irmão e à sua família. “Não posso deixar de agradecer e ressaltar o apoio da enfermeira Thaís, que nos manteve informados de tudo”, comenta. Por lidar com a área da saúde, David afirma que sempre compreendeu com mais facilidade a doação de órgãos e as dificuldades que as pessoas sofrem na fila de transplantes. “Eu tive a incumbência de expor a situação aos meus pais e recebi todo o suporte e orientação do hospital, para entender os passos e etapas a serem cumpridas sobre a doação de órgãos”, relembra. Segundo David, a partir da aprovação da família, o processo de doação teve sequência. “Esse gesto representou a possibilidade de salvar outras vidas, embora tenha perdido meu irmão.”

Doação de Órgãos Hospital São Vicente de Paulo


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