Jundiaí

Dois casos de linchamento apontam falha na justiça


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Crédito: Reprodução/Internet
Um caso de linchamento na última semana em Jundiaí levantou uma discussão pertinente ao assunto. Por que as pessoas fazem justiça com as próprias mãos? Na última segunda-feira (30) um pancadão no Jardim São Camilo resultou na morte de duas pessoas. De acordo com as informações, um jovem brigou com outro e desferiu um golpe de faca, acertando direto seu coração. Após o crime, os populares foram atrás do criminoso e o lincharam, causando sua morte. Também nessa semana, um homem foi preso por agredir uma mulher, que ficou em coma por quatro meses. Na época da agressão, a população do bairro onde o casal morava linchou o homem, que foi para o hospital. Linchamento é um crime que, no Brasil, se caracteriza em ações que tem como autores três ou mais pessoas que praticam ou tem intenção de praticar a violência, que cometem agressão física, tentativa de homicídio ou homicídio contra uma pessoa que é acusada de cometer um crime. Existe uma intenção de fazer justiça com as próprias mãos. De acordo com o delegado da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Jundiaí, Carlos Eduardo Barbosa, a população jamais deve agir por conta própria. “Na suspeita de qualquer criminoso, a pessoa deve chamar a polícia imediatamente. O linchamento é crime e quem participa responderá pelos atos cometidos”, afirma. Um dos motivos que pode explicar a revolta das pessoas quando se deparam com um criminoso é a falha na lei. O cientista político Walter Celeste explica que quando alguém recorre a violência para resguardar sua integridade física ou resolver uma situação de conflito, demonstra que os recursos disponíveis no Estado para proteção e resolução dos problemas não a representa. “O Estado é um catalizador de confiança, pois arroga para si o monopólio legal da violência. Quando esse Estado falha na punição de delinquentes, ele falha também no contrato social que legitima seu monopólio da força em relação ao resto da população. Quando isso acontece, as pessoas se sentem autorizadas a apelar para a autotutela”, afirma. Walter diz que hoje em dia, não há mais confiança no Estado como administrador da justiça. “O Estado não está conseguindo concretizar suas promessas. Por isso, a grande massa da população não consegue ver segurança ou proteção na justiça e por isso acaba agindo com as próprias mãos. Os últimos acontecimentos que aconteceram na cidade mostram justamente essa falta de amparo. A população quer ver a punição desses criminosos, mas ela não está presente”, ressalta. Para o sociólogo André Camargo, se as pessoas acham que a lei beneficia somente os criminosos, começam a agir com violência, pois sabem que além de não haver punição, ainda conseguirão resolver o problema que um terceiro causou. “Quando um grupo de pessoas se une com um objetivo em comum, acaba influenciando as que estão ao redor. O ideal é que a lei não falhe, punindo os criminosos e evitando situações como essas”, afirma.

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