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Dores crônicas atingem mais de 30% da população do país

COLABORAÇÃO ISABELA CRISTÓFARO | 07/04/2019 | 05:00

Cerca de 37% da população brasileira sofre com dores crônicas, afirma a médica anestesista do Hospital São Vicente, Maria Fernanda Amaral Nunes Medicino. “Isso significa que 60 milhões de pessoas passam por isso. É um volume grande”, avalia. A especialista explica que a dor é caracterizada por uma sensação que sugere algo de errado no nosso organismo e ela é definida como crônica quando persiste por mais de três meses no indivíduo.
A auxiliar administrativa Gertrudes Pereira de Almeida diz que há dois anos sofre com dores na coluna e na parte esquerda dos glúteos, joelho e pé. Foi a partir de um acidente doméstico que o incômodo começou. “Comprei um remédio por conta, mas as dores persistiam. Depois comprei uma tala e continuei tocando do jeito que estava”, afirma.
Passado alguns meses, falou com um médico a respeito. Ele pediu exames e constatou que o punho estava fraturado. “Aí ele imobilizou, mas as dores aumentavam, a cada dia; subiu para o cotovelo, ombro e coluna”, relembra. “Fui a vários ortopedistas”.
Dentre as dores crônicas mais comuns estão as musculares, lombar, dor de cabeça e também algumas decorrentes de câncer, afirma a médica. “Essa condição não afeta somente o físico, mas o psicológico e as questões comportamentais. Muitas pessoas podem acabar desenvolvendo depressão e síndrome do pânico.”
No caso de Gertrudes, o incômodo tem afetado as atividades diárias como dirigir e lavar os cabelos sozinha. Quanto ao diagnóstico, ela afirma que ainda não há nada preciso. “Os médicos falam que são complicações pós-trauma que causam essas dores intensas. Ainda, devido a idade, tem bico de papagaio, artrose, artrite. Enfim, cada um que vou fala uma coisa”, lamenta. “Fiz diversas ressonâncias, raio-X, eletroneuromiografia e ultrassom. Eles falam que os problemas que apresento não justificam as dores contínuas”, ressalta.
Sobre o tratamento das dores crônicas, Maria Fernanda diz que há um enorme leque. “Devemos primeiro identificar os fatores biológicos que a desencadeiam para depois tratar os sintomas. Uma vez que a condição também abrange questões ligadas a sociabilidade do paciente, o tratamento é multidisciplinar com fisioterapeuta, neurologista, anestesista, psiquiatras e até psicólogos”, destaca.
Com relação aos medicamentos, os primeiros a serem introduzidos no tratamento são os antidepressivos, antiepiléticos e depois os relaxantes musculares, analgésicos e anti-inflamatórios não-esteroides, como ibuprofeno e paracetamol. Ainda a especialista destaca que o sedentarismo pode piorar a condição de quem sofre com essas dores.
Para amenizar os sintomas, Gertrudes investe em caminhadas e, às vezes, minitrilhas em terreno plano, no entanto, antes das dores tinha uma vida ativa. “Fazia yoga duas vezes por semana, dança do ventre, trilhas, viagens e mochilão”, conta. “O que me ajuda também são tratamentos energéticos, acupuntura e medicina tradicional.”

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