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Durante o isolamento realidades e reações diferentes pelos bairros

Nathália Sousa | 22/05/2020 | 05:00

Pelas ruas de alguns bairros distantes da área central, muitas pessoas parecem não se preocupar com as aglomerações, não utilizam máscaras e parecem não temer o coronavírus, responsável por 41 óbitos em Jundiaí. Nestes locais, a realidade parece ser outra. Com exceção de uma ou outra pessoa que sai às ruas de máscara e dos comerciantes, que também usam o acessório, não há muita diferença de outro momento dentro da normalidade.

Bryan Oliveira, de 18 anos, andava pelo Residencial Jundiaí, Vetor Oeste da cidade, para visitar a loja da mãe. O rapaz usava máscara, mas conta não perceber o hábito nos moradores do bairro. “Não moro aqui, mas acho que a minoria está usando. Hoje (ontem) eu andei por várias cidades da Região e só aqui está assim. Parece que o povo não acordou”, comenta.

Mayara Alves Lopes, de 30 anos, é motorista de aplicativo. Também moradora do Residencial, ele diz que no Novo Horizonte a situação está ainda pior. “Não tem um dia que eu passe lá e não tenha um pessoal jogando baralho ou dominó”, comenta.

Além disto, Mayara conta que há aglomerações nos comércios. “Sempre tem fila em adega. Peguei uma passageira um dia que o irmão dela tem uma adega e comentou que ele nunca vendeu tanto quanto agora.”

Ela se preocupa com as pessoa quem moram em casas com poucos cômodos. “Eu penso no pessoal que mora numa casa de dois cômodos, por exemplo. Às vezes têm até seis crianças em casa. Como que ficam em casa o dia todo?”, diz ela sobre as pessoas que, mesmo sob recomendações, saem à ruas por falta de opções e conforto.

A motorista de aplicativo dirige temporariamente, mas procura um emprego fixo. Enquanto isso, precisa se expor ao risco de transportar pessoas que se recusam a usar máscara. “Peguei um cliente no domingo que não usava máscara e dizia o tempo todo que eu estava enganada por usar. Só que ele já estava alcoolizado, não discuti”, conta Mayara.

O comerciante Roberto Nery, de 49 anos, percebe que a UPA Vetor Oeste tem menos procura neste momento. “Acho que caiu uns 80% lá. Aqui passava muita gente o dia todo e agora tá difícil ver”, referindo-se às pessoas que passavam na frente de sua mercearia a caminho do local.

Já sobre a aderência às medidas de prevenção à covid-19, Nery diz que a realidade da periferia não é muito otimista. “Tem muita gente que não usa máscara. Conhecimento estão tendo, eu acredito que não querem mesmo”, comenta.

AJUSTES
A comerciante Rosimeri Pilonetto, de 38 anos, tem uma loja de utilidades, também no Residencial. Ela diz que há álcool em gel na entrada da loja e faz a limpeza do local com cloro. “Os clientes escolhem os produtos pelo WhatsApp e vêm buscar ou eu entrego”, fala Rosimeri sobre a mudança nas vendas.

Outra opção para os clientes é a ida à loja para escolher os produtos pessoalmente, mas ela ressalta que evita a entrada deles no comércio. As três funcionárias da loja também usam máscaras. “No primeiro momento elas ficaram em casa. O movimento está devagar e agora elas revezam o trabalho”, diz ela, sobre as adaptações feitas.

Segundo o monitoramento por bairros feito pelo Comitê de Enfrentamento ao Coronavírus (CEC), no Novo Horizonte há 22 casos confirmados de covid-19. O Residencial Jundiaí não aparece nesta lista.

 

 


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