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Elas desafiaram o relógio biológico para serem mães

BÁRBARA NÓBREGA MANGIERI | 02/09/2018 | 17:00

“Não acha que está tarde demais para ser mãe? Você vai parecer avó dela.” Esses foram alguns comentários que Inês Celina de Oliveira Polini escutou quando ficou grávida da filha Marina, aos 42. Ela já tinha engravidado aos 36 anos e novamente aos 37, mas perdeu os bebês. “Eu já tinha até desistido da ideia de ser mãe, achei que não era pra mim”, conta.

Hoje, aos 62, ela pensa que foi melhor ter sido mãe mais tarde. “Quando a Mari veio, eu já tinha um emprego estável, minha própria casa, um carro, etc. Sempre tive a consciência de que só queria colocar um filho no mundo se pudesse dar um certo conforto”, acredita.

O pensamento de Inês reflete um comportamento cada vez mais frequente entre as mulheres de Jundiaí. Há cinco anos, 3,3% de todos os partos realizados no Hospital Universitário (HU) eram de mães acima dos 40 anos. Em 2017, esse número chegou a 5,17%. Se considerarmos uma idade ainda mais avançada, como a maternidade após os 50 anos, o crescimento foi ainda maior.

Dados do Ministério da Saúde apontam que entre 2007 e 2016 o total de mães após os 50 cresceu 37% no Brasil – de 261 para 358 (média de quase um parto por dia). A ginecologista e obstetra Patrícia Carvalho afirma que adiar a maternidade é uma tendência. “As prioridades mudaram para as mulheres. Elas estão se emancipando economicamente e ser mãe fica para depois”, diz.

Riscos

Você já deve ter ouvido falar que mulher tem um “prazo de validade” e que vai ficando cada vez mais arriscado ser mãe após os 30, certo? Mas não teriam os avanços da medicina alterado o relógio biológico materno? Patrícia diz que não. “Os riscos continuam sendo os mesmos. O que mudou foram as estratégias para monitorar a gravidez de forma que as complicações sejam minimizadas”, explica.

Segundo a médica, conforme a mulher envelhece, os óvulos vão “perdendo a qualidade” e aumentam os riscos de uma complicação na gravidez ou ainda de alterações genéticas nos bebês. “As mães podem desenvolver hipertensão ou diabetes gestacional com mais facilidade e os bebês têm mais probabilidade de terem uma síndrome ou nascerem prematuros.”

Ainda assim, Inês afirma ter passado por uma gravidez tranquila. “Meu médico me falou que meus hábitos importavam muito mais que minha idade”, conta. “Eu tinha pressão alta, fumava, comia muita massa, churrasco, cerveja”, diz. Ela então passou a mudar a alimentação e fez acompanhamento mensal durante a gestação. “Não tive problema nenhum, inclusive trabalhei até dois dias antes do nascimento da Mari.”

Hoje com 20 anos, o único problema pelo qual Mariana passou foi cardíaco. “Mas isso não teve relação com a maternidade tardia. É genético, todo mundo na família do pai dela tem doenças do coração.”

Para quem quer amenizar as chances de uma alteração genética, a fertilização in vitro (FIV) pode ser uma opção. Para a empresária Gilvera Rondi Marchesini, 46 anos, a FIV foi a solução perfeita para realizar seu sonho. Mesmo depois de ter tido Bruna e Mateus aos 20 e 22 anos, ela decidiu que seu novo relacionamento, com o advogado Gaspar Marchesini, precisava ter seus próprios frutos. Ele também tinha dois filhos de um casamento anterior, mas topou a aventura.

A empresária tinha 40 anos quando começara as tentativas naturais para ser mãe. Depois de quatro anos, ela e o marido chegaram a entrar na fila da adoção, passaram por alguns meses de convivência com uma criança mas, como a experiência não foi boa, pediram suspensão do cadastro. Paralelamente, aos 44, ela procurou um médico especialista em fertilização. “Ele disse que eu poderia tentar engravidar até os 50 anos sem problemas”, conta.

Depois de uma série de exames para avaliar sua reserva de óvulos, ela passou a fazer um tratamento para estimular a fertilização. “A primeira vez não deu certo, meus óvulos não estavam saudáveis. Cheguei a desanimar, mas meu médico me incentivou e deu certo na segunda vez”, diz. Hoje, grávida de 5 meses de duas meninas, ela diz que a única recomendação passada foi melhorar a alimentação e fazer exercícios. “Mas isso é em qualquer gestação”, argumenta.

Comparando sua gravidez atual com a dos primeiros filhos, ela se diz mais confiante. “Já sei o que esperar e não me deixo mais afetar pela opinião dos outros, como fazia quando era menos madura”, diz. “Fui muito criticada, me chamaram de louca. Mas sinto que nasci para isso e não vou deixar meu sonho de lado por causa da idade”.
GRAVIDEZ TARDIA MARIANA DE OLIVEIRA POLINE INES CELINA DE OLIVEIRA POLINE


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